Bento XVI: Igreja não pode ser marginalizada da vida social

Em uma mensagem enviada ao cardeal Erdö para a plenária dos bispos europeus

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PARIS, segunda-feira, 5 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- "A justa distinção entre Estado e Igreja não deve afastar esta última da vida social e cultural". É o que afirma Bento XVI em uma mensagem enviada ao cardeal Péter Erdö, presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE).

O Conselho realizou sua Assembleia Plenária em Paris de 1 a 4 de outubro, com o tema "Igreja e Estado, vinte anos depois da queda do Muro de Berlim". As reuniões foram realizadas na Maison de la Conférence des évêques de France a convite de seu presidente, o cardeal André Vingt-Trois, arcebispo de Paris.


Na mensagem, que é assinada pelo cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, o Papa recorda que "a Igreja é fiel a sua missão de verdade a favor de uma sociedade à medida do homem, de sua dignidade e de sua vocação", e que esta fidelidade "é garantia de um desenvolvimento humano integral, remédio aos múltiplos desequilíbrios que sofre hoje o nosso mundo".


Portanto, a própria Igreja, prossegue o texto, "deseja que a vivência dos homens e dos povos esteja inspirada e animada pela caridade. Assim esta contribuirá para a edificação dessa cidade de Deus para com a qual caminha a família humana".


Em sua intervenção, em 1º de outubro, o cardeal Péter Erdö, arcebispo de Esterzgom-Budapeste, afirmou que "após vinte anos da queda do Muro de Berlim, que é o símbolo do final, em muitos de nossos países, de regimes ateus e comunistas, estamos vivendo agora outras dificuldades e desafios".


"A União Europeia, à que pertencem muitos de nossos países, está a ponto de empreender novas iniciativas partindo do Tratado de Lisboa -acrescentou. A Igreja apoia tudo aquilo que pode levar a reforçar a paz e as relações de solidariedade entre os países, mas estará sempre vigilante para que se garanta o bem comum, o respeito pela vida e a liberdade religiosa".


Hoje, prosseguiu, "a Europa precisa de mais sacerdotes", assim como "a Igreja na Europa tem muita necessidade de leigos, de famílias, de pessoas que, em seus postos de trabalho e em suas casas, na política, na cultura, nas instituições sociais, nas escolas e nas universidades possam ser verdadeiramente o rosto de Cristo".


Informe


Em 2 de outubro, o professor Giorgio Feliciani, do Centro de estudos sobre os Entes Eclesiásticos da Universidade Católica de Milão, apresentou um informe sobre os resultados da pesquisa europeia sobre Igreja e Estado, promovida pelo Conselho, ante as Conferências Episcopais da Europa.


Sobre o status jurídico da Igreja Católica nos diferentes países europeus, na pesquisa se lê que "quase por unanimidade, as respostas recebidas assinalam a existência de formas de relação entre a Conferência Episcopal e a autoridade do Estado", apesar de que "as modalidades são obviamente muito diversificadas".


"Podemos afirmar, ainda que com várias formas, as Conferências Episcopais têm um papel de destaque nas relações da Igreja com os Estados" e, inclusive, "desde diferentes partes se assinala também que as relações com os entes locais são melhores que as de nível nacional".


Sobre as intervenções da Igreja em matérias socialmente relevantes, continua o informe, "da complexidade das respostas se deduz que em alguns países são apreciadas ou ao menos tidas em consideração, como na Alemanha, França, Lituânia, mas também na Albânia e Grécia".


"Em outros Estados, ao contrário, não obtêm atenção alguma (Bósnia e Eslovênia), ou também, e sobretudo quando contrastam com a mentalidade dominante, suscitam decidida hostilidade, como revelam os bispos austríacos e gregos, e inclusive são ridicularizadas nos meios de comunicação, como lamentam os bispos suíços".


"Por outro lado, os episcopados da Inglaterra, Moldávia, Polônia e Portugal advertem, muito justamente, que é necessário distinguir -prossegue o estudo. De fato, enquanto que as declarações sobre temas de sexualidade, família, bioética, quando não são ignoradas, suscitam reações negativas, as que tocam temas sociais como os direitos humanos, a solidariedade, o desenvolvimento, sofrem apreciações e valorizações".


"Sucede inclusive que quem se mostra contrário às primeiras, considerando-as ingerência indevida, quer um maior compromisso da Igreja nas segundas. Esta é, por conhecimento direto, a situação italiana", acrescenta o informe.


"Em todo caso, deve-se ter presente que as tomadas públicas de posição assumidas junto a outras igrejas, ou conjuntamente com as comunidades judaica e islâmica e a pessoas sem convicção religiosa, são mais escutadas", conclui.