Bento XVI mostra seu apoio aos cristãos perseguidos no mundo

Pede que cessem a hostilidade e preconceito contra os cristãos no Ocidente

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CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 17 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – Bento XVI dedica dois pontos inteiros da sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz a discutir a situação dos cristãos perseguidos no mundo, especialmente na Ásia e na África.

Em sua mensagem, que será solenemente proclamada no dia 1º de janeiro de 2011, o Papa lança as bases para a sistematização dos seus ensinamentos sobre a “laicidade positiva”, conceito muito importante neste pontificado, que foi central em suas viagens aos Estados Unidos, França e Inglaterra, entre outras intervenções.

Mas também é um documento de denúncia, especialmente sobre a situação dos cristãos em algumas partes da Ásia e África, bem como da “hostilidade encoberta” nas sociedades ocidentais.

Assim, a mensagem começa recordando especialmente os cristãos do Iraque, “os sofrimentos recentes da comunidade cristã”.

De modo especial, o Papa condena “o vil ataque contra a catedral siro-católica de ‘Nossa Senhora do Perpétuo Socorro’ em Bagdá, onde, no passado dia 31 de outubro, foram assassinados dois sacerdotes e mais de cinquenta fiéis, quando se encontravam reunidos para a celebração da Santa Missa”.

“A este ataque seguiram-se outros nos dias sucessivos, inclusive contra casas privadas, gerando medo na comunidade cristã e o desejo, por parte de muitos dos seus membros, de emigrar à procura de melhores condições de vida”, denuncia.

Também expressa sua proximidade e a da Igreja aos cristãos iraquianos; e agradece as ações dos governos “que se esforçam para atenuar o sofrimento desses irmãos”, apelando a todos os católicos a “orar por seus irmãos na fé, que sofrem violências e intolerâncias, e a ser solidários com eles”.

Situação “inaceitável”

O Papa constata “com dor” que, “em algumas regiões do mundo, não é possível professar e exprimir livremente a própria religião sem pôr em risco a vida e a liberdade pessoal”.

“De modo particular na Ásia e na África, as principais vítimas são os membros das minorias religiosas, a quem é impedido de professar livremente a própria religião ou mudar para outra, através da intimidação e da violação dos direitos, das liberdades fundamentais e dos bens essenciais, chegando até à privação da liberdade pessoal ou da própria vida.”

Em outras regiões, no entanto, “há formas mais silenciosas e sofisticadas de preconceito e oposição contra os crentes e os símbolos religiosos”.

“Frequentemente, tais formas fomentam o ódio e o preconceito e não são coerentes com uma visão serena e equilibrada do pluralismo e da laicidade das instituições, sem contar que as novas gerações correm o risco de não entrar em contacto com o precioso patrimônio espiritual dos seus países”.

Os cristãos, acrescenta, “são, atualmente, o grupo religioso que padece o maior número de perseguições devido à própria fé. Muitos suportam diariamente ofensas e vivem frequentemente em sobressalto por causa da sua procura da verdade, da sua fé em Jesus Cristo e do seu apelo sincero para que seja reconhecida a liberdade religiosa”.

“Não se pode aceitar nada disto, porque constitui uma ofensa a Deus e à dignidade humana; além disso, é uma ameaça à segurança e à paz e impede a realização de um desenvolvimento humano autêntico e integral”, denuncia.

“Negar ou limitar arbitrariamente” a liberdade religiosa, assim como “obscurecer a função pública da religião”, supõe “gerar uma sociedade injusta, porque esta seria desproporcionada à verdadeira natureza da pessoa”.

Convite ao perdão

O Papa conclui sua mensagem dirigindo-se às comunidades cristãs que sofrem “perseguições, descriminações, atos de violência e de intolerância”, em particular na Ásia, África, Oriente Médio e especialmente na Terra Santa.

Também pede “a todos os responsáveis que intervenham prontamente para pôr fim a toda violência contra os cristãos que habitam naquelas regiões. Que os discípulos de Cristo não desanimem com as presentes adversidades, porque o testemunho do Evangelho é e será sempre sinal de contradição”.

Por isso, recorda-lhes “o compromisso por nós assumido no sentido da indulgência e do perdão, que invocamos de Deus para nós, no ‘Pai Nosso’”.

“A violência não se vence com a violência. O nosso grito de dor seja sempre acompanhado pela fé, pela esperança e pelo testemunho do amor de Deus”, convida.

Por último, expressa seu desejo de que “cessem no Ocidente, especialmente na Europa, a hostilidade e os preconceitos contra os cristãos pelo fato de estes pretenderem orientar a própria vida de modo coerente com os valores e os princípios expressos no Evangelho”.

“Que a Europa saiba reconciliar-se com as próprias raízes cristãs, que são fundamentais para compreender o papel que teve, tem e pretende ter na história; saberá assim experimentar justiça, concórdia e paz, cultivando um diálogo sincero com todos os povos”, conclui.

(Inma Alvarez)