Bento XVI: pêsames por tragédia em presídio venezuelano

58 mortos e mais de 100 feridos: pontífice pede superação dos problemas para evitar repetição do drama

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 1130 visitas

Bento XVI enviou um telegrama expressando o seu profundo pesar pelos trágicos incidentes da última sexta-feira no presídio venezuelano de Uribana, no Estado de Lara, que deixou 58 mortos e uma centena de feridos.

O telegrama do papa, assinado pelo cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone, foi enviado ao arcebispo colombiano de Barquisimeto, Antonio José López Castillo. 

De acordo com informações da Rádio Vaticano, o papa convida as autoridades da Venezuela a “trabalhar com espírito de colaboração e boa vontade para superar os problemas e evitar no futuro a repetição de acontecimentos tão dramáticos”. 

Bento XVI ofereceu sua oração pelos falecidos e “a mais profunda proximidade espiritual e solidariedade” às famílias das vítimas mortais e dos feridos. “Invocando a amorosa proteção da Virgem Maria, [o papa] concede com afeto a confortadora bênção apostólica, como sinal de consolação e de esperança nestes momentos de tristeza”.

A Comissão Nacional para a Pastoral Presidiária da Conferência Episcopal Venezuelana (CEV), no comunicado “Momento de luto nacional”, publicado em 29 de janeiro e enviado à agência Fides, expressa a sua dor e pede “investigações eficazes, independentes e imparciais, que permitam processar e sancionar os responsáveis”.

A CEV denuncia políticas carcerárias ineficazes, superlotação, falta de alimentação adequada, violência descontrolada, atrasos processuais e vexações contra os familiares.

“Exigimos que o governo cumpra o artigo 272 da nossa Carta Magna e se comprometa de maneira mais decidida a solucionar a grave crise carcerária existente", diz o comunicado, que também pede o restabelecimento da permissão, hoje suspensa, da entrada de agentes pastorais da Igreja nos centros de reclusão. O documento convida a comunidade cristã a trabalhar pastoralmente em favor do respeito pela dignidade humana de todos.

Segundo o Observatório Venezuelano dos Presídios, o país tem 45 mil presos em estruturas que comportam 15 mil. No presídio que foi palco da revolta, com capacidade para 850 pessoas, há 2.500 detidos.

A comissão da ONU para os direitos humanos considera que a responsabilidade é das autoridades do presídio. O governo venezuelano prorrogou por três meses a situação de emergência dos cárceres do país, enquanto a construção de novos presídios é aguardada.