Bento XVI propõe reforma da ONU

Em sua encíclica Caritas in veritate

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CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 7 de julho de 2009 (ZENIT.org).- A proposta de reforma da Organização das Nações Unidas, apresentada por Bento XVI em Caritas in veritate, converteu-se em uma das perguntas que os jornalistas colocaram na coletiva de apresentação da encíclica nesta terça-feira na Sala de Imprensa do Vaticano.

No número 67, o Papa marca esta proposta como parte de uma reforma geral da arquitetura econômica e financeira internacional. 

O Papa assegura que esta medida é necessária “para o governo da economia mundial, para sanar as economias atingidas pela crise de modo a prevenir o agravamento da mesma e em consequência maiores desequilíbrios, para realizar um oportuno e integral desarmamento, a segurança alimentar e a paz, para garantir a salvaguarda do ambiente e para regulamentar os fluxos migratórios”.

Ao ser interrogado pelos jornalistas, o cardeal Renato R. Martino, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, respaldou as palavras do pontífice, assegurando que “agora as Nações Unidas congregam 191 países e quando a instituição foi constituída não continha nem sequer a metade”. 

“Esta organização deveria ter esta autoridade política, eficiente para responder às exigências do mundo, e isto já dizia João XXIII em Pacem in terris e Bento o repete”, explicou o purpurado.

Bento XVI, na encíclica apresentada hoje, defende esta reforma, entre outras coisas, em virtude do princípio da ingerência humanitária, assim como para dar voz aos países pobres.

“Sente-se a urgência de encontrar formas inovadoras para atuar o princípio da responsabilidade de proteger e para atribuir também às nações mais pobres uma voz eficaz nas decisões comuns”. 

Por isso, assegura o pontífice, “urge a presença de uma verdadeira Autoridade política mundial”. Esta Autoridade, declara, “deverá regular-se pelo direito, ater-se coerentemente aos princípios de subsidiariedade e solidariedade, estar orientada para a consecução do bem comum, comprometer-se na realização de um autêntico desenvolvimento humano integral inspirado nos valores da caridade na verdade”. 

Tal autoridade, também, “deverá ser reconhecida por todos, gozar de poder efetivo para garantir a cada um a segurança, a observância da justiça, o respeito dos direitos”, acrescenta. 

Segundo o Papa, esta autoridade “deve gozar da faculdade de fazer com que as partes respeitem as próprias decisões, bem como as medidas coordenadas e adoptadas nos diversos fóruns internacionais”. 

Pois, segundo declara, “que, se isso faltasse, o direito internacional, não obstante os grandes progressos realizados nos vários campos, correria o risco de ser condicionado pelos equilíbrios de poder entre os mais fortes”. 

“O desenvolvimento integral dos povos e a colaboração internacional exigem que seja instituído um grau superior de ordenamento internacional de tipo subsidiário para o governo da globalização e que se dê finalmente actuação a uma ordem social conforme à ordem moral e àquela ligação entre esfera moral e social, entre política e esfera económica e civil que aparece já perspectivada no Estatuto das Nações Unidas”, conclui.