Bento XVI recebe as atas do simpósio contra a pederastia na Igreja

Tolerância zero e diretrizes contra a repetição dos horrores

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Sergio Mora | 1151 visitas

O diretor do Centro para a Proteção dos Menores e do Instituto de Psicologia da Pontifícia Universidade Gregoriana, o padre jesuíta Hans Zollner, entregou ontem a Bento XVI o livro das atas do simpósio internacional realizado há um ano sobre os abusos cometidos por pessoas do clero contra menores de idade e a resposta que foi dada pela Igreja.

O volume, escrito em alemão, foi entregue ao papa no final da audiência. As atas foram redigidas no simpósio “Rumo à cura e à renovação”, que, de 6 a 9 de janeiro de 2012, contou com a participação de 110 conferências episcopais, representadas, na maior parte dos casos, pelo bispo encarregado dos casos de abuso na respectiva conferência.

Participaram ainda superiores gerais de mais de trinta ordens religiosas e cerca de setenta especialistas em direito canônico, bem como psiquiatras e psicoterapeutas que trabalham com as vítimas e com os abusadores.

As atas do simpósio serão apresentadas ao público no próximo dia 5 de fevereiro, também na Universidade Gregoriana. Serão divulgadas ainda as atividades do Centro para a Proteção dos Menores e o programa de e-learning criado na Alemanha para prevenir abusos contra menores na Igreja e na sociedade, além de prestar a ajuda devida às vítimas.

As iniciativas fazem parte da estratégia firme e decidida do Vaticano na luta contra a pedofilia no interior da Igreja.

Na entrega das atas também estava presente o diretor da assessoria de imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, que participou do simpósio. Na ocasião, o porta-voz vaticano disse a ZENIT que, “além de aumentar o rigor no combate ao crime dos abusos contra menores, cometidos por pessoas da Igreja, a iniciativa identificará um percurso que ajude as vítimas e crie condições para evitar que pecados semelhantes se repitam no futuro”.

Lombardi acrescentou que as conferências episcopais estavam trabalhando “para pôr a circular em prática, formulando as suas diretrizes”. Trata-se de “redigir um documento, mas também de praticá-lo. Todo intercâmbio de experiências será útil”.

O jesuíta precisou que a Universidade Gregoriana sediou o simpósio por ser “um grande centro acadêmico capaz de organizar uma iniciativa como esta, que pede capacidades de tipo moral, jurídico, canônico, pastoral e psicológico”, e especificou que o convênio foi gerido pelo Instituto de Psicologia da Gregoriana, assim como o centro especializado que lhe dá suporte.

Dom Charles Scicluna, promotor de justiça da Congregação para a Doutrina da Fé, destacou no simpósio a vontade firme de “extirpar e prevenir esta chaga aberta”, porque “os abusos são um fenômeno muito triste que, além de pecado, são um delito. E como delito, existe para eles a justa jurisdição do Estado e o dever de colaborar com esta jurisdição penal”.

 Duas cerimônias marcaram o final do simpósio: a primeira, penitencial, foi presidida pelo cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos. A segunda, uma missa concelebrada, foi presidida pelo cardeal Fernando Filoni, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos.