Bento XVI recorda católico que deu sua vida sob nazismo para salvar judeus

Odoardo Focherini, jornalista, nasceu há cem anos

| 1437 visitas

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 7 de junho de 2007 (ZENIT.org) .- Bento XVI recordou o centenário do nascimento de um católico italiano assassinado sob o nazismo por ter salvo a vida de numerosos judeus.



Trata-se de Odoardo Focherini, jornalista, que morreu no campo de concentração de Hersbruck (um dos 74 subcampos de Flossenburg), em 27 de dezembro de 1944, aos 37 anos.

É «uma inesquecível figura de esposo cristão, cujo virtuoso exemplo continua falando à Igreja de hoje», afirma o Papa em uma mensagem enviada à diocese de Carpi (Itália) através de seu secretário de Estado, o cardeal Tarcisio Bertone.

A mensagem papal recorda o centenário de seu nascimento (6 de junho de 1907).

O Papa «deseja que a significativa data sirva para recordar a luminosa mensagem e o intrépido testemunho evangélico de um leigo tão generoso que, imitando Cristo, entregou-se incessantemente à salvação de seus irmãos».

Foccherini era administrador do jornal «L’Avvenire d’Italia», estava casado e era pai de sete filhos.

Em 1942, o diretor de seu jornal lhe pediu que ajudasse alguns judeus poloneses, que chegaram à Itália em um trem da Cruz Vermelha Internacional, e foram enviados a Bolonha pelo cardeal Pietro Boetto, arcebispo de Gênova.

Focherini começou assim uma intensa atividade a favor dos judeus, que se intensificaria com as deportações raciais posteriores que aconteceram na Itália, organizando uma rede de expatriação à Suíça que salvou a vida de ao menos 105 judeus.

Por esta atividade, que durou dois anos, a União das Comunidades Israelenses da Itália lhe entregou a medalha de ouro.

Em 11 de março de 1944, ao visitar, no hospital «Ramazzini» de Carpi, um judeu, Enrico Donati, para organizar sua fuga para a Suíça, foi preso. Em um só interrogatório foi acusado de ter escrito uma carta na qual dizia que ajudava os judeus «não por dinheiro, mas por pura caridade cristã».

Em 1969 foi declarado «Justo entre as nações» pelo Estado de Israel. Sua causa de beatificação está em curso desde 1996.

Sua figura será recordada neste 9 de junho durante uma missa em Carpi, da qual participará, entre outros, o cardeal Francis Arinze, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.