Bento XVI: santos, maravilhoso jardim de Deus

Intervenção durante a oração do Ângelus

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CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 3 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos as palavras que Bento XVI pronunciou ao rezar a oração mariana do Ângelus na Praça de São Pedro, no Vaticano, por ocasião da Solenidade de Todos os Santos, no sábado passado, 1º de novembro.

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Queridos irmãos e irmãs:

Celebramos hoje com grande alegria a festa de Todos os Santos. Quando uma pessoa visita um jardim botânico, fica estupefata diante da variedade de plantas e flores, e espontaneamente pensa na fantasia do Criador, que fez da terra um jardim maravilhoso. Um sentimento análogo nos invade quando consideramos o espetáculo da santidade: o mundo nos parece como um «jardim», onde o Espírito de Deus suscitou com fantasia admirável uma multidão de santos e santas, de toda idade e condição social, de toda língua, povo e cultura. Cada um é diferente do outro, com a singularidade da própria personalidade humana e do próprio carisma espiritual. Todos têm impresso, contudo, o «selo» de Jesus (cf. Ap 7, 3), ou seja, a marca de seu amor, testemunhado através da Cruz. Todos estão no gozo, em uma festa sem fim, mas, como Jesus, eles conquistaram esta meta passando pela fadiga e pela prova (cf. Ap 7, 14), enfrentando, cada um, a própria parte de sacrifício para participar da glória da ressurreição.

A solenidade de Todos os Santos foi se afirmando no transcurso do primeiro milênio cristão como celebração coletiva dos mártires. Já em 609, em Roma, o Papa Bonifácio IV havia consagrado o Panteão (de Agripa, N. do T.), dedicando-o a Nossa Senhora e a todos os mártires. Este martírio, por outro lado, podemos entendê-lo em sentido amplo, ou seja, como amor a Cristo sem reservas, amor que se expressa no dom total de si mesmo a Deus e aos irmãos. Esta meta espiritual, à qual todos os batizados estão chamados, se alcança seguindo o caminho das «bem-aventuranças» evangélicas, que a liturgia nos indica na solenidade de hoje (cf. Mt 5, 1-12a). É o mesmo caminho traçado por Jesus e que os santos e as santas se esforçaram em percorrer, conscientes de seus limites humanos. Em sua existência terrena, de fato, foram misericordiosos, puros de coração, trabalhadores pela paz, perseguidos pela justiça. E Deus os fez partícipes de sua própria felicidade: Agora são consolados, herdeiros da terra, saciados, perdoados vêem Deus, de quem são filhos. Em uma palavra: «deles é o Reino dos Céus» (cf. Mt 5, 3.10).

Neste dia sentimos reavivar-se em nós a atração pelo Céu, que nos impulsiona a apertar o passo de nossa peregrinação terrena. Sentimos acender-se em nossos corações o desejo de unir-nos para sempre à família dos santos, da qual já agora temos a graça de fazer parte. Como diz um célebre canto espiritual: «Quando chegar a multidão dos vossos santos, oh, como eu gostaria, Senhor, de estar entre eles!». Que esta bela aspiração possa arder em todos os cristãos, e ajude a superar toda dificuldade, todo temor, toda tribulação. Queridos amigos, coloquemos nossa mão na mão materna de Maria, Rainha de todos os santos, e deixemo-nos conduzir por Ela à pátria celeste, em companhia dos espíritos bem-aventurados «de toda nação, povo e língua» (Ap 7,9). E unamos à oração a lembrança de nossos queridos falecidos, que comemoraremos amanhã.

[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri

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