Bento XVI: vivo meu pontificado “com os sentimentos do peregrino”

Papa pede que se ressalte a riqueza de peregrinar aos santuários

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CASTEL GANDOLFO, terça-feira, 28 de setembro de 2010 (ZENIT.org) - "Neste momento histórico, em que, com força porventura ainda maior, estamos chamados a evangelizar o nosso mundo, há que sublinhar a riqueza que provém da peregrinação aos santuários."

Assim destaca o Papa em sua mensagem ao 2º Congresso Mundial de Pastoral de Peregrinações e Santuários, que se realiza em Santiago de Compostela desde ontem até a próxima quinta-feira, 30 de setembro, com o lema "E entrou para ficar com eles", tirado da passagem evangélica dos discípulos de Emaús.

Bento XVI destaca, em primeiro lugar, a "extraordinária capacidade de atração" dos santuários, que reúnem "um crescente número de peregrinos e turistas religiosos, alguns dos quais se encontram em situações humanas e espirituais complexas, um tanto distantes da vivência da fé e com uma débil pertença eclesial".

"A todos eles Cristo se dirige com amor e esperança. A aspiração à felicidade presente no espírito encontra n'Ele a sua resposta, e é junto d'Ele que o sofrimento humano encontra um sentido."

Orientações

O Papa afirma que, "como o velho Simeão encontrou Jesus no Templo (cf. Lc 2, 25-35), assim também o peregrino deve ter a oportunidade de descobrir o Senhor no santuário".

Para que se dê essa descoberta, o Pontífice oferece diversas orientações. "É preciso fazer com que os peregrinos não percam de vista que os santuários são lugares sagrados, comportando-se, portanto, neles com devoção, respeito e decoro", pede.

"Desse modo - explica -, a Palavra de Cristo, o Filho do Deus vivo, poderá ressoar com clareza e proclamar-se-á em toda a sua integridade o acontecimento da sua morte e ressurreição, fundamento da nossa fé".

Por outro lado, Bento XVI indica que é preciso "cuidar, com grande esmero, o acolhimento dos peregrinos, dando o justo destaque, nomeadamente, à dignidade e beleza do santuário, imagem da ‘tenda de Deus com os homens' (Ap 21, 3)".

Também destaca a importância de cuidar "dos momentos e espaços de oração, tanto pessoais como comunitários; e da atenção às práticas de piedade".

"Ao mesmo tempo - acrescenta -, nunca se insistirá demasiado no fato de que os santuários hão de ser faróis de caridade, incessantemente dedicados aos mais desfavorecidos mediante obras concretas de solidariedade e misericórdia e uma constante disponibilidade para escutar."

O Papa sublinha a importância de fomentar nos santuários também "o acesso dos fiéis ao sacramento da Reconciliação, consentindo-lhes participar dignamente da Celebração Eucarística, de tal modo que esta possa ser o centro e o cume de toda a ação pastoral dos santuários".

Assim, "tornar-se-á manifesto que a Eucaristia é, sem dúvida alguma, o alimento do peregrino, o ‘sacramento de Deus, que não nos deixa sozinhos no caminho, mas se coloca ao nosso lado e nos indica a direção'", como recordou na homilia da solenidade de Corpus Christi de 2008.

O Bispo de Roma indica que "a celebração da Eucaristia deve ser considerada o ponto culminante da peregrinação".

Exorta também aos que se dedicam a esta belíssima missão a que favoreçam nos peregrinos, "o conhecimento e a imitação de Cristo, que continua caminhando conosco, iluminando com a sua Palavra a nossa vida e partilhando conosco, na Eucaristia, o Pão da Vida".

Dessa forma, "a peregrinação ao santuário será assim ocasião propícia para revigorar naqueles que o visitam o desejo de partilhar com outros a maravilhosa experiência de saber que somos amados por Deus e enviados ao mundo para testemunhar este amor".

O Papa, peregrino

Em sua mensagem, Bento XVI revela que, "desde o início do meu pontificado, quis viver o ministério de Sucessor de Pedro com os sentimentos do peregrino que percorre os caminhos do mundo com esperança e simplicidade, levando nos lábios e no coração a mensagem salvadora de Cristo Ressuscitado e confirmando na fé os seus irmãos".

"É como sinal explícito desta missão que figura no meu escudo, entre outros elementos, a concha de peregrino", explica.

Também recorda: "Eu próprio me deslocarei dentro em pouco como peregrino ao túmulo do Apóstolo São Tiago, o ‘amigo do Senhor', do mesmo modo como tenho dirigido os meus passos a outros lugares do mundo, para onde convergem numerosos fiéis com fervorosa devoção".

A mensagem está dirigida ao presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, Dom Antonio Maria Vegliò, e ao arcebispo de Santiago de Compostela, Dom Julián Barrio, representantes da organização do 2º Congresso Mundial de Pastoral de Peregrinações e Santuários.

Nela, Bento XVI faz chegar aos congressistas sua "proximidade espiritual, que os alente e acompanhe no exercício de um trabalho pastoral de tanta relevância na vida eclesial".

Alto nível

Participam do congresso cerca de 300 pessoas dos cinco continentes, comprometidas no âmbito da atenção pastoral às peregrinações e santuários, com o objetivo de aprofundar na importância das peregrinações aos santuários enquanto manifestações da vida cristã e espaços de evangelização.

A última edição foi realizada há 18 anos, em Roma. Entre os numerosos expoentes, encontram-se os subsecretários das congregações pontifícias para o clero e para o culto divino e a disciplina dos sacramentos, o reitor dos santuários de Lourdes e o presidente de Ajuda à Igreja que Sofre.

O Papa confia "à intercessão de Maria Santíssima e do Apóstolo São Tiago os frutos deste Congresso, ao mesmo tempo em que dirijo a minha oração a Jesus, ‘Caminho, Verdade e Vida' (Jo 14, 6), ao qual apresento todos os que, peregrinando ao longo da vida, andam à procura do seu rosto".

Sua mensagem, datada de 8 de setembro, termina com uma oração ao "Senhor Jesus, peregrino de Emaús, que caminhas ao nosso lado, por amor, mesmo se tantas vezes o desalento e a tristeza não nos deixam descobrir a tua presença".