Bispo de Abaetetuba (Pará, Brasil) foi ameaçado de morte pessoalmente

D. Flávio Giovenale atuou no caso da menina estuprada em prisão masculina

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Por Alexandre Ribeiro

 

ABAETETUBA, quarta-feira, 19 de dezembro de 2007 (ZENIT.org).- Dom Flávio Giovenale, bispo de Abaetetuba (80km de Belém, capital do Pará, norte do Brasil) foi abordado na manhã do dia 4 de dezembro e ameaçado de morte pessoalmente.

Segundo o bispo contou a Zenit esta quarta-feira, um desconhecido o interpelou na rua, quando ele se dirigia a um colégio, e disse: «A gente conhece os seus caminhos; quando a poeira baixar, vamos dar um jeito em vocês».

Dom Flávio Giovenale, salesiano, italiano missionário no Brasil, há dez anos bispo de Abaetetuba, atuou no caso da menina encarcerada com homens na delegacia da cidade.

A adolescente de 16 anos (completados no dia 10 passado) foi presa sob acusação de furto no dia 21 de outubro. Ela ficou presa em uma cela com 20 homens até o dia 14 de novembro.

Nesse período, foi obrigada a manter relações sexuais sob violência, em troca de alimento. Ela apresentava marcas de violência no corpo e queimaduras de cigarro.

Segundo explicou Dom Flávio Giovenale, não foram todos os detentos que estupraram a menina. Um deles, chocado com a situação, havia prometido ajudá-la assim que saísse da cadeia.

Foi este detendo que encaminhou ao Conselho Tutelar a denúncia. Depois que o caso veio a público, quatro delegados foram afastados --inclusive o delegado-geral da Polícia Civil paraense, Raimundo Benassuly.

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) chegou a pedir o afastamento de todos os 25 agentes da Polícia Civil de Abaetetuba.

Nesse contexto, três pessoas intercederam com especial vigor em favor da menina: o bispo Giovenale e as conselheiras tutelares Maria Imaculada Ribeiro dos Santos e Diva de Jesus de Negrão Andrade.

Todos foram ameaçados pessoalmente de morte por desconhecidos neste mês de dezembro. Outras pessoas teriam sofrido ameaças, inclusive membros da OAB no Pará.

Dom Flávio disse temer pela vida das duas conselheiras. «Acredito que as duas correm mais perigo, pois o bispo é uma autoridade, e eles têm de pensar bem antes de fazer uma besteira».

O prelado destacou o trabalho corajoso das duas conselheiras no caso da menina estuprada. Maria Imaculada e Diva Andrade também atuam na Igreja Católica como catequistas.

Dom Flávio Giovenale afirmou que já detalhou as ameaças de morte à OAB. A entidade está cuidando dos trâmites para conseguir proteção policial para os três ameaçados, junto à Polícia Federal.

A menina vítima de abuso sexual confirmou à Justiça que, após o período que passou na prisão, foi deixada no cais por três policiais que a haviam prendido. Eles a teriam mandado «desaparecer».

A adolescente confirmou ainda que em diferentes momentos em que esteve presa afirmou que era menor de idade.

Após ser enviada para Belém, a menina foi encaminhada, sob sigilo da Justiça, para outro Estado brasileiro, onde recebe tratamento e proteção.

Dom Flávio Giovenale confirmou a Zenit que já havia recebido outras três ameaças de morte este ano, por seu trabalho em favor da justiça e dos direitos humanos em Abaetetuba, cidade marcada pela presença do tráfico de drogas.