Bispo de Gizé: Estou otimista

Dom Aziz Mina fala do primeiro turno das eleições presidenciais no Egito

| 872 visitas

ROMA, terça-feira, 29 de maio de 2012 (ZENIT.org) - "Um dia dizem uma coisa e no dia seguinte falam o contrário. É o problema da Irmandade Muçulmana: eles não mantêm as promessas. Se eles querem ganhar, têm que dar mais garantias".

Dom Antonios Aziz Mina, bispo de Gizé, no Egito, não esconde as suas perplexidades na conversa com a Ajuda à Igreja que Sofre (AIS). Após o primeiro turno das eleições presidenciais nas últimas quarta e quinta-feira, o bispo não faz previsões sobre o resultado do segundo turno entre o candidato da Irmandade Muçulmana, Mohammed Morsi, e o general Ahmed Shafiq, ex-ministro da Aviação Civil do ex-ditador Mubarak e primeiro-ministro durante os dias da revolta que derrubou o regime.

Um resultado inesperado, pelo menos no tocante a Morsi, que contrariou muitas pesquisas pré-eleitorais e levantou controvérsias sobre a legitimidade das prévias. De uma longa lista de treze candidatos, os favoritos pareciam ser Shafiq, Amr Moussa, ex-ministro de Assuntos Exteriores do governo Mubarak e ex-secretário da Liga Árabe, e Moneim Abul Fotouh, expulso da Irmandade em março precisamente por causa da sua candidatura. Fotuh propunha um novo Egito mais inspirado no Corão, mas pluralista e democrático, ganhando assim até o apoio de alguns cristãos.

De acordo com dados da Comissão Eleitoral, a participação nas urnas foi de 46,42%, cerca de 23 milhões de pessoas. Morsi recebeu mais de 5,6 milhões de votos (24,8%) e o general Shafiq 5,4 (23,9%). O total, no entanto, não excede 50% dos votos.

"Para ganhar o segundo turno, eles precisarão ganhar a confiança de metade dos eleitores e eu não sei dizer qual deles será capaz disso", afirma dom Mina, que enfatiza a importância de assegurar liberdade para os fiéis de todas as religiões. "O novo presidente deve garantir a liberdade, a democracia e uma nova Constituição que permita que todos os egípcios, sem exceção, encontrem o seu lugar no país".

Embora seja muito cedo para previsões, com o segundo turno marcado para 16 e 17 de junho, o bispo de Gizé não perde a confiança e enxerga no futuro do Egito a liberdade religiosa e a democracia. "Eu sempre fui otimista. Mas, desta vez, continuar a esperar é uma escolha".