Bispo de Petrópolis solidariza-se com vítimas das enchentes

Dom Filippo Santoro pede exame de consciência diante do problema recorrente

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Por Alexandre Ribeiro

 

PETRÓPOLIS, terça-feira, 12 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- O bispo de Petrópolis (Rio de Janeiro), Dom Filippo Santoro, solidarizou-se com as vítimas das recentes enchentes que mataram dez pessoas e atingiram centenas de famílias na região serrana de Itaipava.

As fortes chuvas deste início de mês, no período de carnaval, causaram alagamentos e deslizamentos de terras em diferentes áreas do distrito de Petrópolis. De acordo com a Cruz Vermelha na cidade, é a pior tragédia desde a de 1988, quando 134 pessoas morreram soterradas por deslizamentos, desabamentos ou levadas pelas águas.

Em mensagem aos fiéis remetida a Zenit sexta-feira passada, Dom Filippo Santoro recorda que este tipo de tragédia, ligada a condições climáticas, não é imprevisível.

De acordo com o prelado, elas «se repetem quase cada ano na região serrana e exigem a colaboração das forças locais, do Estado e do Governo central e de todos nós».

O bispo comenta que visitou os locais da tragédia, «e as pessoas que tinham perdido tudo, inclusive familiares, me perguntavam o porque de tudo isso».

«Podemos culpar a chuva, o descaso, a ocupação irregular das encostas, o assoreamento abusivo do Rio Santo Antonio, cujo leito foi várias vezes alterado, e mil outras razões que se repetem cada vez que a desgraça acontece.»

«Um justo exame de consciência faz bem a todos diante de um problema que há décadas aflige a nossa região», afirma.

De acordo com Dom Filippo Santoro, «uma parte das coisas depende de nós e nos convida a tomar todas as providências necessárias sem omissões; uma outra parte, porém escapa às nossas mãos».

O bispo explica que, «em face deste angustiante problema que é abordado por todas as religiões, o cristianismo se deixa profundamente questionar e não elabora uma explicação teórica, mas indica a presença de um fato novo: a cruz de Cristo».

«O próprio Deus, movido por um amor inexplicável, entra no abismo da morte, no drama do abandono total e se torna solidário com todos aqueles que morrem», afirma.

Segundo Dom Filippo, Deus «compartilha a nossa condição, nos abraça no âmago do nosso desespero e, com o seu amor sem fim, nos abre à esperança». «Envolve-se com o nosso sofrimento e a nossa história, tornando-se solidário conosco e nos ensina o caminho da solidariedade e da vida.»

Na nossa cultura – prossegue o bispo –, «dominada pelo mercado e pela indiferença, entra uma nova medida: a do amor gratuito, do infinito e da solidariedade».