Bispo iraquiano pede a Obama que «busque a paz entre os povos»

A situação dos cristãos em Mosul melhora, mas ainda há medo latente

| 775 visitas

BAGDÁ, quinta-feira, 6 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- O bispo auxiliar de Bagdá, Shleiman Warduni, pediu ao recém-eleito presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que «governe buscando o bem de todos os povos da terra», um convite que estende «a todos os demais líderes mundiais».

Em declarações à Agência Asianews, Dom Warduni desejou que o novo presidente «não trabalhe somente para ganhar uma guerra, mas para alcançar uma paz estável e duradoura, que é a verdadeira conquista, não somente no Iraque, mas em todos os lugares onde há conflito».

«É necessário que os governantes trabalhem para a paz, prosperidade e amor entre os povos, deixando de lado divisões e egoísmos pessoais», acrescentou o prelado.

Por outro lado, o bispo criticou duramente a decisão do parlamento iraquiano, no dia 3 de novembro, de limitar a representação das minorias, apesar de que tanto o presidente Al-Maliki como os principais líderes muçulmanos haviam aceitado «a reintrodução do artigo 50 na lei eleitoral, que reconhece os mesmos direitos a todos os iraquianos».

Dom Warduni qualificou a medida de «esmola» e garantiu que não estão dispostos a aceitá-la. «Não é justo continuar falando de minorias, porque todos nós somos parte de um único Iraque, que devemos colaborar para transformar o desejo de democracia em um projeto concreto», acrescentou.

Neste sentido, sublinhou que a comunidade cristã levou a cabo uma «importante tarefa» quanto à «difusão da cultura, educação, assistência social e sanitária», apesar dos «perigos, ameaças e perseguições».

Com relação à recente tragédia dos cristãos em Mosul, o prelado denunciou que a causa também foi «o silêncio da União Européia, dos Estados Unidos, do Parlamento e da Comunidade Internacional, que durante muito tempo não mexeram um dedo».

Dom Warduni explicou que a situação dos cristãos na cidade de Mosul está melhorando, desde a intervenção da polícia e do exército, e que «cerca de 500 famílias voltaram e outras se preparam para voltar»; ainda que continue havendo um sentimento de medo latente, houve muitos gestos de solidariedade por parte da comunidade muçulmana.