Bispo não poupa o Ocidente em relatório sobre ataque a 80 igrejas

Governos ocidentais foram alvo de críticas por parte do principal bispo egípcio a quem pediu para colaborar com o novo regime do país a fim de derrubar os extremistas responsáveis por uma onda de terrorismo direcionado a cerca de oitenta igrejas

Roma, (Zenit.org) | 858 visitas

O Bispo copta-católico Kyrillos William de Assiut afirmou que muitos cristãos, principalmente na região mais afectada da província de Minya, no Alto Egipto, estão agora demasiado receosos de deixar as suas casas depois do tumulto anti-cristão de 48 horas na semana passada, levado a cabo por apoiantes do presidente deposto, Mohammed Mursi.

Foi o Bispo Copta-Católico Joannes Zakaria que descreveu como foi “salvo” pela polícia, que impediu muçulmanos de incendiar a sua casa em Luxor durante uma onda de violência que atingiu a comunidade cristã da região – incluindo o bispo, sacerdotes, religiosas e leigos – e evitou que abandonassem as suas casas.

Ao descrever como, desde o dia 13 de Agosto, quase 80 igrejas, conventos, escolas administradas pela Igreja, clínicas e outros centos foram atingidos, D. William criticou o Ocidente por não reconhecer a dimensão dos ataques sem qualquer provocação a comunidades inocentes por apoiantes Irmandade Muçulmana do Mursi.

Numa entrevista à Fundação AIS, D. William disse: “Os Governos ocidentais falam dos direitos humanos; sim, estes grupos têm o direito de se manifestar, mas não com armas. Os Governos ocidentais não vêem a realidade do que se está a passar aqui.”

Um grupo de terroristas usou armas contra nós. [Os Governos ocidentais] não deveriam apoiar isto.” E acrescentou: “[Os Irmãos Muçulmanos]pensam que os Cristãos são a causa do afastamento de Mursi. Mas os Cristãos não estavam sozinhos –35 milhões de pessoas saíram para as ruas para se manifestarem contra Mursi.”

Os Cristãos estão a ser castigados. Nós somos o bode-expiatório.”

Salientou que, apesar de repetidos esforços – incluindo os dos Governos da EU – para encorajar a Irmandade Muçulmana a dialogar, o movimento islâmico respondeu com violência.

Simultaneamente, o Patriarca Copta Ibrahim Sidrak de Alexandria emitiu um comunicado declarando “o nosso apoio livre, forte e consciente por todas as instituições do Estado, particularmente às Forças Armadas e à Polícia, por todos os seus esforços na protecção da nossa pátria.”

Ambos sublinharam que muitos muçulmanos estiveram lado a lado com os cristãos a defender igrejas e outros edifícios coptas de ataques.

D. William afirmou: “O nosso povo é próximo dos Muçulmanos moderados. Quando os fundamentalistas vieram em perseguição dos Cristãos na parte antiga da cidade [de Assiut], os Muçulmanos afastaram-nos recorrendo às armas.”

Noutras cidades, Cristãos e Muçulmanos vieram proteger as igrejas e aí ficaram durante todo o dia.”

Disse também que muitos Muçulmanos concordam com os Cristãos sobre a necessidade de haver uma separação clara entre religião e Estado.

Muitos bispos sublinharam como os ataques da semana passada aconteceram repentinamente. D. William afirmou: “Esperávamos alguma reacção[por parte dos Irmãos Muçulmanos] mas não a este nível de brutalidade.”

Em Luxor, D. Joannes Zakaria afirmou à Fundação AIS como no dia 16 de Agosto um protesto islâmico assumiu proporções assustadoras quando os extremistas tentaram forçar a entrada na residência do bispo e incendiá-la, mas as forças armadas intervieram “e salvaram-nos, graças a Deus.”

Disse que todas as igrejas estão agora fechadas e acrescentou: “Eu, o bispo, os sacerdotes, as religiosas e os leigos não podemos deslocar-nos. Ficamos em casa para evitar qualquer espécie de violência.”

O Bispo contou que tanto em Luxor como nas aldeias circundantes, “algumas” igrejas e casas de cristãos foram incendiadas, e alguns estabelecimentos comerciais pertencentes a cristãos foram destruídos.

Em Dabbiah, uma aldeia perto de Luxor, foram mortos cinco cristãos e um muçulmano.

Todos os bispos apelaram à oração.

Numa mensagem a Neville Kyrke-Smith, Director Nacional da AIS no Reino Unido, D. Zakaria afirmou: “Estamos felizes por estamos a sofrer e a ser vítimas, a perder as nossas igrejas, casas e a nossa subsistência para salvar o Egipto para os Cristãos e os Muçulmanos."

Precisamos da oração de todos para resolvermos os nossos problemas. É o futuro das nossas crianças que nos preocupa, para que bons Cristãos e Muçulmanos possam viver juntos.”

(Fonte:AIS)