Bispo português pede empenho na reunificação e coesão das famílias migrantes

D. António Vitalino, bispo de Beja e presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana

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BEJA, quinta-feira, 26 de julho de 2007 (ZENIT.org).- O bispo presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa) pediu esta quinta-feira empenho da sociedade na reunificação e coesão das famílias migrantes e refugiadas.



Em mensagem intitulada «Construir Família em Terra Estrangeira», difundida pela agência do episcopado em Portugal, Ecclesia, D. António Vitalino, bispo de Beja, afirma que é um dado adquirido que a pessoa humana precisa da família para nascer, crescer integralmente e viver.

«Sem esta relação primordial dificilmente teremos pessoas com auto-estima e estabilidade interior suficientes para enfrentar as crises de crescimento e integrar-se harmoniosamente nas respectivas sociedades.»

Por isso, de acordo com o bispo, é de todo o interesse para a sociedade, em geral, que se ponha em prática a Convenção Internacional para a proteção dos direitos de todos os trabalhadores migrantes e dos membros das suas famílias, que entrou em vigor a 1 de julho de 2003.

«É necessário salvaguardar o direito humano à reunião dos membros da família dos migrantes e refugiados e dar-lhes condições de inclusão na sociedade de trânsito ou de residência, para evitar graves crises afetivas, geracionais e sociais», afirma.

Segundo D. António Vitalino, a memória e trajetória das Comunidades Portuguesas estão repletas de crises familiares.

«De fato, por falta do devido cuidado pastoral, ou mesmo por se ter dificultado – através de leis políticas alimentadas por atitudes securitárias – a unificação e reagrupamento familiar dos migrantes, têm surgido muitos desajustamentos nos membros da primeira geração de emigrantes portugueses, assim como de imigrantes em Portugal.»

«Constatam-se “mecanismos de defesa” que impedem uma maturação dos jovens da segunda geração – afirma o bispo –, o que pode provocar graves perturbações da vida social, como ultimamente se verificou em algumas cidades e bairros de países da União Européia.»

D. António Vitalino reafirma seu «apelo a todos os cristãos, estruturas eclesiais e homens de boa vontade, seja qual for a religião, mas apaixonados – como nós – pela beleza da dignidade humana, para que não adormeçam na indiferença e, com a fantasia da caridade, inspirados pelo direito a viver em família, tudo façam para a reunificação e coesão das famílias migrantes e refugiadas».