Bispos africanos fazem apelo por fim do conflito no Congo

Cidadãos devem se comprometer com a luta pela justiça social

Roma, (Zenit.org) | 418 visitas

Os bispos do Congo lançaram um apelo enfático aos líderes africanos pelo fim da guerra que arrasa a República Democrática do Congo e para que os políticos trabalhem não pelos próprios interesses, e sim pelo bem de toda a população do continente. A mensagem foi publicada no encerramento da assembleia geral do simpósio das Conferências Episcopais da África e de Madagascar (Secam), que aconteceu em Kinshasa, no Quênia.

Na mensagem final, reproduzida pela agência Fides, os bispos também convidam os cidadãos africanos "a se comprometer urgentemente na luta por uma ordem social justa, em que todos usufruam de direitos somados à sua dignidade humana".

O encontro terminou ontem, 16 de julho, e reuniu uma centena de bispos de todo o continente. O tema foi "a Igreja, família de Deus na África a serviço da reconciliação, da justiça e da paz".

A denúncia contundente dos bispos africanos se refere aos conflitos que atingem a parte oriental da República Democrática do Congo (RDC), gerando atrocidades, atos de violência, estupros e o saldo espantoso de seis milhões de mortes em vinte anos. Os bispos "convidam todas as partes envolvidas a buscar a solução para esta guerra e a trabalhar ativamente pela paz", estendendo o apelo às Nações Unidas, à União Europeia e à União Africana. O convite é feito também aos líderes políticos: os prelados consideram que é preciso "sensibilizar e educar os líderes políticos, nos respectivos países, para que eles se comprometam com a volta de uma paz duradoura na RDC".

Para cumprir o seu compromisso com a justiça e com a reconciliação, os bispos do SECAM adotaram um "plano estratégico de cinco anos" (2013-2018) que prevê projetos em matéria de governança e de formação para as práticas democráticas e para o bem comum.

"Estamos decididos a enviar sinais firmes: agora cabe a cada conferência episcopal definir gestos específicos, responsabilizando todos os sujeitos envolvidos", disse o vice-presidente do SECAM, dom Gabriele Mbilingi, arcebispo de Lubango, em Angola. "A África precisa hoje de um Bom Samaritano em política, capaz de pensar a organização da sociedade de forma que o bem comum seja a prioridade", disse o bispo de Kinkala, Congo, dom Louis Portella Mbuyu, em sua homilia na missa de encerramento da assembleia. A atenção ao bem comum, enfatizou ele, significa que os líderes da política e da economia "devem saber gerir a riqueza e o poder não para si mesmos, mas para os seus irmãos e irmãs, com o orgulho de proporcionar o bem-estar para todos".