Bispos americanos exortam a respeitar direitos dos trabalhadores

Explicam como aplicar a doutrina social no lugar de trabalho

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WASHINGTON, quinta-feira, 25 de junho de 2009 (ZENIT.org).- A Conferência Episcopal dos Estados Unidos difundiu um documento no qual oferece ideias e conselhos para criar um ambiente de trabalho adequado, sobretudo para aqueles que estão no setor sanitário e devem decidir se aderem ou não a um sindicato.

O documento, intitulado “Respeitar os justos direitos dos trabalhadores: guia e opiniões para a assistência sanitária e os sindicatos católicos”, foi dado a conhecer pelos bispos nesta segunda-feira.

Um comunicado da Conferência Episcopal refere que o texto é resultado do esforço cooperativo dos bispos, dos líderes do setor sanitário e dos membros do movimento dos trabalhadores.

A declaração sublinha que os princípios do documento “refletem um consenso único e pioneiro entre os sindicatos e os trabalhadores sanitários católicos”.

Este diálogo, iniciado há mais de 10 anos, foi inaugurado pela Conferência Episcopal para estabelecer um campo comum sobre “aproximações alternativas para colocar em prática os ensinamentos sociais católicos sobre os direitos dos trabalhadores para escolher livremente se querem ser ou não representados pelos sindicatos”.

O cardeal Theodore McCarrick, arcebispo emérito de Washington, que conduziu o diálogo, afirmou que “ainda que tenham perspectivas e pontos de vista diferentes em muitos setores, os participantes compartilharão a convicção de que cabe aos trabalhadores – não aos bispos, aos dirigentes dos hospitais ou aos líderes sindicais – decidir como serão representados nos lugares de trabalho”.

“Este notável diálogo produziu um acordo sem precedentes, graças aos princípios da doutrina social católica e à qualidade dos líderes envolvidos.”

O documento sugere diretrizes para os empresários que proporcionam trabalho e os representantes sindicais, para ajudar os trabalhadores a tomarem decisões sem uma pressão indevida por uma ou outra parte.

Respeito

O texto recomenda que os sindicatos e os trabalhadores assinem um acordo sobre as formas específicas nas quais querem “demonstrar respeito pela recíproca organização e missão, proporcionar aos trabalhadores o mesmo acesso às informações de ambas as partes e aderir aos padrões de verdade e equilíbrio em suas comunicações”.

Propõe também chegar a um acordo sobre os meios para criar um ambiente livre de pressões, permitindo aos trabalhadores que votem através de um processo justo e rápido, respeitando sua decisão independentemente do resultado e criando um sistema pra reforçar estes princípios ao longo de uma campanha de organização.

Dom William Murphy, presidente do Comitê para a Justiça Interna e o Desenvolvimento Humano, declarou que “esta aproximação depende do diálogo civilizado entre sindicatos e trabalhadores, que se concentra em como se respeitará o direito de decisão dos próprios trabalhadores”.

“Colocando os trabalhadores no centro do processo – acrescentou –, o grupo afirmou o coração da doutrina social católica.”

O comunicado afirma que estas diretrizes não vinculam os bispos, hospitais ou sindicatos, mas são consideradas princípios consultivos e “alternativas práticas para os líderes da assistência sanitária e os sindicatos católicos que querem evitar as tensões e conflitos que frequentemente acompanham as campanhas de organização”.

Nos Estados Unidos, mais de 600 mil pessoas trabalham em cerca de 600 hospitais católicos.

O cardeal MacCarrick afirmou que, “dado que a assistência sanitária católica é um apostolado e não uma indústria, o trato dado aos trabalhadores e como o trabalho trata a própria assistência católica não são simples questões internas, mas deveriam refletir o ensinamento católico sobre o trabalho e sobre os trabalhadores, sobre a assistência sanitária e sobre o bem comum”.