Bispos argentinos: a ludopatia, um flagelo crescente

Advertem dos perigos do vício no jogo de azar

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BUENOS AIRES, quarta-feira, 22 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) - La ludopatia é um fenômeno crescente na Argentina. Um vício que pode chegar a ser um verdadeiro mal social e que, como todas as dependências, afeta em primeiro lugar a famíla. Diante deste perigo, os bispos argentinos – através de um documento publicado pela Comissão Permanente do Episcopado – advertem dos riscos no país do que denominam “flagelo”.

Os bispos informam que dedicarão o próximo ano de 2011 para ressaltar o valor da vida humana e sua dignidade inviolável: “Tudo o que agrida o limite da dignidade da vida pessoal e social é um obstáculo no caminho de plenitude ao qual estamos chamados”, afirmam em seu documento para este Advento.

Um dos valores fundamentais, salientam, é a liberdade, “tão apreciada por nossa sociedade”.

Por isso expressam “sua inquietação e dor por um flagelo crescente para muitas famílias: o vício no jogo de azar”.

Já no documento “Rumo a um bi-centenário em justiça e solidariedade 2010-2016”, observavam que “em todo o país se multiplicou a oferta do jogo de azar”, o qual “pode favorecer atitudes viciantes”. Se referem neste documento “ao jogo como estrutura lucrativa, seja privada ou estatal, com suas diferenças de acordo com o caso”.

Os prelados se declaram testemunhas de como proliferaram os cassinos, os bingos, unidos ao fabuloso negócio das máquinas caça-níqueis, ainda em bairros pobres, assim como “as grandes ofertas de jogos de aposta em locais de loteria”. O fenômeno das novas tecnologias, como a internet, acrescentam, “fazem surgir novas e cada vez mais massivas formas de jogo”.

Os pastores argentinos, sem eufemismos, denunciam que “o jogo de azar é um negócio que move grande quantidade de dinheiro para benefício de poucos em detrimento de muitos, especialmente os mais pobres”.

Se declaram também cientes “da vinculação desta atividade com a lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas, armas e pessoas”.

E, diante deste problema, afirmam, “o Estado deve garantir a proteção integral da família”.

Quem se apaixona pelo jogo, advertem, “pode arriscar e perder aquilo que pertence também a seu cônjuge e seus filhos. É uma ação que danifica a comunhão familiar e leva muitas vezes a discussões, censuras e brigas. Quando a situação se torna incontrolável, aparecem as condutas de vício. A ludopatia é uma doença emocional de natureza progressiva. Quem padece esta patologia costuma ter baixa estima. Desde esta perspectiva, há uma raiz comum com outros vícios”.