Bispos chilenos reivindicam objeção de consciência ante «pílula do dia seguinte»

«A vida é sempre a opção mais segura»

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SANTIAGO, segunda-feira, 5 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- O bispo de Rancagua e presidente da Conferência Episcopal do Chile, Dom Alejandro Goic, reivindicou o legítimo direito de objeção de consciência, ao referir-se às anunciadas sanções contra farmácias que se negaram a vender o levonorgestrel, também conhecido como «pílula do dia seguinte».



«Penso que existe o legítimo direito de objeção de consciência e não se pode ser intolerante frente a uma consciência que não quer contribuir em uma dúvida científica que ainda existe sobre a promoção de uma pílula que ainda pode ser abortiva», afirmou Dom Goic em uma conversa com jornalistas, nas dependências do bispado de Rancagua, segundo informa a Conferência Episcopal do Chile em seu site (www.iglesia.cl).

O prelado reiterou que existem dúvidas científicas razoáveis sobre o uso desse composto: «Uma das duas hipóteses atuais é de que a pílula seja abortiva, não é terapêutica, simplesmente impede que se gere uma nova vida e se já foi gerada a destrói. Ninguém pode me obrigar pela lei a que eu atue contra o que é minha consciência», sublinhou.

«A vida sempre é a opção mais segura»
Dom Cristián Contreras, bispo secretário-geral da Conferência Episcopal do Chile, fez um convite a defender sempre o valor da vida, que é o valor principal, a partir do debate com relação às sanções às redes de farmácias que se negaram a vender a pílula do dia seguinte.

«Eu creio que o tema é muito mais amplo que as sanções às farmácias. O tema foi manifestado inumeráveis vezes: é o tema da vida, como abordamos o tema da vida. Nós vemos que quando há dúvida acerca da existência de um ser humano, temos de guiar-nos sempre pela opção muito mais segura», sublinhou o bispo auxiliar de Santiago.

Em diálogo com jornalistas ao término de uma conferência de imprensa sobre a preocupação da Igreja pelo mundo da infância, Dom Contreras valorizou o chamado que o Santo Padre realizou aos farmacêuticos a responsabilizarem-se por suas decisões: «Parece-me que é providencial o que disse o Papa Bento XVI com relação à liberdade de consciência que as pessoas devem ter quando se trata justamente de um fármaco que pode ter um efeito abortivo».

Acrescentou que neste debate é preciso ter presente que a liberdade é um conceito amplo e integral, e nesse sentido seria absolutamente válido que um dono de farmácia, ao ter dúvidas acerca do efeito abortivo da pílula, e por razões de consciência não queira vendê-la.