Bispos da Venezuela pedem que o governo pague os salários atrasados aos professores

Declaração da Conferência Episcopal Venezuelana sobre o caso APEP

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Redacao | 378 visitas

O presidente da Comissão de Educação da Conferência Episcopal Venezuelana, dom Mariano Parra Sandoval, emitiu um comunicado à imprensa nacional e internacional, nesta última sexta-feira, sobre a situação irregular vivida pelos trabalhadores da APEP, Associação de Promoção da Educação Popular.

Reproduzimos o comunicado do episcopado:

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Nós, arcebispos e bispos da Venezuela, reunidos em nossa CII Assembleia Ordinária, queremos manifestar o nosso total apoio aos empregados da APEP que, neste momento, vivem uma situação muito injusta e delicada.

A Associação de Promoção da Educação Popular, fundada por dom Emilio Blaslov há cinquenta anos, foi criada para servir às classes mais populares na educação para o trabalho.

Essa instituição, ao longo destes anos de vida, criou 275 centros-oficinas nos bairros populares das nossas cidades e nos pequenos povoados da nossa geografia nacional, atendendo a um imenso número de alunos das escolas públicas. Esta proposta, hoje, continua vigente e respondendo à necessidade de formar o jovem com ferramentas adequadas para a sua incorporação ao mercado de trabalho.

Para realizar o seu trabalho, a APEP, através da ajuda de organismos internacionais e de empresas privadas, oferecia as oficinas e proporcionava a formação dos professores. O Ministério da Educação, por sua vez, o apoiava através de um convênio, com um subsídio para pagar as obrigações salariais. Este sistema de colaboração mútua funcionou sem maiores problemas até o ano de 2009. Naquele ano, sem nenhuma comunicação prévia do ministério, o orçamento aprovado pela Assembleia Nacional foi reduzido pela metade. Os efeitos desta situação têm sido vários, mas o mais doloroso é que, com essa metade do subsídio, é impossível pagar salários justos a milhares de pais e mães de família empregados da APEP. E o mais grave é que esse insuficiente e injusto subsídio chega com muito atraso. Até o dia de hoje, o orçamento aprovado para 2014 não foi recebido do Ministério do Poder Popular para a Educação.

Por esta razão, nós, arcebispos e bispos da Venezuela, exortamos as autoridades do Estado venezuelano a tomarem posição quanto a este problema e a cooperarem com estes venezuelanos e venezuelanas honestos e humildes, que se entregaram ao serviço dos mais necessitados deste país.  Unindo esforços, poderemos encontrar soluções.