Bispos do Chile convocam amplo diálogo sobre justiça social

«Sem justiça social não há democracia integral»

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SANTIAGO DO CHILE, quarta-feira, 22 de agosto de 2007 (ZENIT.org).- O Comitê Permanente da Conferência Episcopal do Chile convocou nesta quarta-feira um diálogo nacional para aproximar posições e chegar a acordos que permitam impulsionar as medidas tendentes a uma maior justiça social.



A declaração tem como título «Sem justiça social não há democracia integral» e foi dada a conhecer em uma coletiva de imprensa por Dom Cristián Contreras Villarroel, bispo auxiliar de Santiago e secretário-geral da CECh. No texto, os bispos esclarecem que esse diálogo deve incluir todos os olhares que busquem o progresso de nosso país e das famílias mais pobres.

A propósito do debate nacional que se originou em torno da eqüidade, os pastores assinalam que «é urgente enfrentar como sociedade este importante tema de fundo» e ao mesmo tempo valorizaram que diversos setores do país tenham acolhido positivamente o chamado que o presidente da Conferência Episcopal fez a assumir a dívida pendente, quanto a uma melhor distribuição da riqueza, e a compensação ética e digna do trabalho humano.

«Interpelados pelo Evangelho, pela doutrina social da Igreja e pelo testemunho de nossos santos e mártires, abordamos estas matérias desde a missão de pastores que nos foi confiada.»

«Nós o fazemos porque a consciência cristã do Chile não pode ser indiferente ao sofrimento de tantos homens e mulheres – trabalhadores, aposentados e pensionistas –, que não conseguem viver com dignidade se não têm acesso a uma renda que permita a uma família satisfazer suas necessidades básicas de acordo com a natureza de quem é filhos de Deus», assinala a declaração episcopal.

Agregam que as decisões econômicas e as políticas públicas devem estar sempre motivadas pelo bem das pessoas, considerando de um modo privilegiado os mais vulneráveis, os mais pobres: «Não podemos resignar-nos a aceitar a desigualdade e a injustiça social como dados da realidade. Não podemos separar a ética da vida nem da economia».

Os bispos consideram imprescindível conseguir acordos entre o governo e a oposição em favor da eqüidade, «de forma que as políticas públicas e os empreendimentos do setor privado promovam a criação de emprego, especialmente nos setores mais necessitados, e impulsionem a produtividade».

«Também é necessário chegar a um acordo nacional que dê à educação de qualidade a prioridade que merece. Sem estas medidas na ordem trabalhista e educacional, não conseguiremos reduzir substancialmente as brechas de renda que existem em nossa sociedade», concluem.