Bispos mostram falta de liberdade religiosa no Iraque

Dois bispos iraquianos se reúnem com presidente do Conselho da Europa

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BRUXELAS, sexta-feira, 16 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – “Não existe liberdade religiosa no Iraque”, manifestaram dois bispos iraquianos – o arcebispo de Erbil, Dom Bashar Matti Warda, e o arcebispo caldeu de Mosul, Dom Emil Nona – ao presidente do Conselho da Europa, Hermann van Rompuy, em um encontro realizado em Bruxelas em 13 de setembro.

Os prelados explicaram ao mandatário europeu que o artigo 3 da Constituição iraquiana concede uma espécie de primazia ao direito islâmico, já que nenhuma lei pode contradizer a xaria, segundo informou Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

Também expressaram seu desejo de que os cristãos recebessem ajudas para construir escolas, o que beneficiaria toda a sociedade iraquiana. Segundo os arcebispos Warda e Nona, 95% das crianças que frequentam escolas cristãs procedem de famílias muçulmanas.

“A educação ajudaria a desenvolver uma nova cultura, bem como a liberdade religiosa, abrindo novas perspectivas aos jovens”, afirmou Dom Warda.

Por sua vez, Van Rompuy se interessou pelas circunstâncias em que vivem as famílias iraquianas, pela situação da mulher no país, pelo futuro dos cristãos na antiga Mesopotâmia, pela proteção dos refugiados e por como a Europa poderia ajudar.

Também comunicou aos bispos iraquianos o crescente interesse que está suscitando nas instituições da União Europeia a situação e o futuro dos cristãos nos lugares em que sofrem algum tipo de perseguição, especialmente no Oriente Médio.

Em fevereiro de 2011, a União Europeia condenou a perseguição e os ataques sofridos pelos cristãos em muitos lugares do mundo. Nessa declaração, reconhecia-se que a liberdade religiosa é um direito fundamental de todos os seres humanos, que deve ser protegido “em todos os lugares”.

Para os encarregados pela Relações Exteriores dos países membros da UE, é responsabilidade das autoridades nacionais “proteger os seus cidadãos, incluindo os que pertencem a minorias religiosas”, bem como aquelas pessoas que se encontram “sob a sua jurisdição”.

Os dois bispos se referiram ao testemunho dos cristãos e a outras pessoas que sofrem no Iraque. Na arquidiocese de Mosul, os cristãos e as igrejas receberam repetidos ataques e o próprio predecessor de Dom Nona morreu em cativeiro, em março de 2008.

Segundo Dom Warda, desde 2003, mais de 500 cristãos foram assassinados por motivos religiosos ou políticos, 66 igrejas foram atacadas e 4 mil famílias cristãs iraquianas abandonaram a diocese de Erbil, no norte curdo do Iraque, para fugir da violência e da intimidação.

A reunião da terça-feira, que durou meia hora, faz parte de um programa de visitas organizado por iniciativa da associação católica internacional AIS.

Os bispos tiveram encontros também com vários deputados europeus e com o antigo presidente do Parlamento Europeu e atual presidente da Fundação Konrad Adenauer, Hans-Gert Pöttering, bem como com importantes funcionários da Comissão Europeia.

O Iraque é um dos países prioritários para AIS. Durante o ano passado, foram destinados 567.697 euros para ajudar as comunidades católicas que permanecem no país, apesar das hostilidades sofridas por parte de grupos radicais. Desde o início da guerra, milhares de caldeus tiveram de sair do país.