Bispos ocidentais na Terra Santa: “a paz exige coragem política”

Visita anual da Coordenação das Conferências Episcopais da Europa e América à Terra Santa

| 1667 visitas

JERUSALÉM, quinta-feira, 14 de janeiro de 2010 (ZENIT.org).- Os bispos da Coordenação das Conferências Episcopais da Europa e América para ajuda à Igreja da Terra Santa pediram nesta quinta-feira “coragem política” para que a paz possa ser alcançada na região.

O apelo foi lançado numa nota de imprensa, emitida ao final da décima reunião anual com ordinários católicos da Terra Santa, que nesta ocasião reuniu por 5 dias – até a última quinta-feira - 26 bispos e representantes.

“Exortamos a todos a apoiar os funcionários públicos que têm tomado iniciativas corajosas visando a uma solução justa para o conflito; uma solução que contemple dois Estados, com segurança e reconhecimento para Israel e um Estado independente para os palestinos”, diz a nota.

“Para nós, não se trata de uma questão meramente política; é uma questão de respeito a direitos humanos fundamentais”.

“Apesar das feridas desta terra, o amor e a esperança continuam vivos" – acrescenta o comunicado. “Uma paz justa é possível, mas os líderes políticos e todas as pessoas de boa vontade precisam ter coragem para alcançá-la”.

O representante da Conferência Episcopal Espanhola, Dom Joan Enric Vives, afirmou que neste sentido é necessário “cumprir aquilo que já foi estabelecido pelas Nações Unidas: criar dois Estados com fronteiras bem definidas, e um estatuto internacional para a cidade de Jerusalém”.

Os bispos participaram de diversos outros encontros, visitas e celebrações, dando especial atenção à região da Jerusalém Oriental.

Acordos Santa Sé-Israel

A delegação encontrou-se também com o patriarca latino de Jersusalém, Fouad Twal, e com o núncio de Israel e delegado apostólico na Terra Santa, Dom Antonio Franco, com os quais trataram da aplicação dos acordos firmados entre a Santa Sé e Israel.

Os bispos manifestaram sua preocupação com as crescentes dificuldades enfrentadas pelos religiosos  para se movimentarem na região, que, segundo eles, representam uma “ameaça à liberdade religiosa”.

"Apelamos pela plena aplicação do Acordo Fundamental e pela facilitação da emissão de vistos para os agentes pastorais, para que a Igreja possa cumprir sua missão", destacou o comunicado.

Ao visitar paróquias, escolas e universidades, os representantes puderam constatar o crescente distanciamento entre israelenses e palestinos, e uma falta de "contato humano", que constitui um “obstáculo para a confiança e o diálogo”.

“A violência, a insegurança, as demolições de casas, as restrições à movimentação, o muro, a desapropriação de terras e outras políticas do gênero ameaçam tanto a solução de dois Estados quanto a presença cristã na região”, adverte o texto.

Sínodo sobre o Oriente Médio

No texto, os bispos pedem que "os fiéis de nossas Nações orem pela Igreja na Terra Santa, por uma paz justa e pelo sucesso do próximo Sínodo sobre o Médio Oriente, que será importante para toda a região e para o mundo."

Exortam também a "conhecer melhor a situação, e a vir em peregrinação para constatar a fé vibrante do" pedras vivas" da Igreja local, o "Quinto Evangelho ".

"Na situação atual, é difícil manter a esperança” – explicam – “mas, como cristãos, todos nós nascemos com Cristo em Belém; e todos nós morremos e ressuscitamos para uma nova vida em Jerusalém”.

Os bispos, acompanhados pelo núncio, manifestaram ao Chefe de Gabinete do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Danny Ayalon, as principais preocupações das Igrejas cristãs em relação à situação atual.

Com a aplicação do “Novo Plano para Jerusalém” por parte do governo de Israel, passam a ser permitidos novos assentamentos judaicos na área conhecida como Cidade Velha de Jerusalém, bem como a demolição de casas palestinas.

Esse fato muda o equilíbrio existente em Jerusalém entre as três religiões - muçulmanos, judeus e cristãos – para as quais Jerusalém é uma cidade sagrada.

Iniciativa da Santa Sé

A Coordenação representa os bispos católicos das Conferências Episcopais da Europa e América do Norte. Foi criada em 1998 por iniciativa da Santa Sé, e desde então seus representantes encontram-se todos os anos com os ordinários da Terra Santa.

Por meio da oração, da exortação à peregrinação à Terra Santa e pela persuasão política, os prelados da Coordenação esperam expressar sua solidariedade para com as Igrejas locais e contribuir para uma solução justa dos conflitos em curso na região.