Bispos portugueses se manifestam sobre legislação da barriga de aluguel

Reunidos para 184ª plenária da CEP, episcopado também se pronuncia sobre as eleições ao Parlamento Europeu

Brasília, (Zenit.org) Lilian da Paz | 506 visitas

Nesta quinta-feira, 1º de maio, a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), reunida em Fátima desde 30 de abril para a 184ª plenária da instituição, manifestou total desacordo com a legalização da maternidade de substituição ou barriga de aluguel. A proposta legislativa está sendo discutida na Assembleia da República do país e vem recebendo inúmeras críticas da Igreja.

Dom Manuel Clemente, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, não quer que a proposta legislativa seja aprovada. Para ele, a relação estabelecida na gestação não é algo superficial. "A relação uterina entre aquela que gera e aquele que está a ser gerado é muito forte”, sublinhou.

De acordo com nota publicada pelo episcopado, é ilusório pensar que a proposta legislativa vai trazer benefícios para os envolvidos:

A natural aspiração à maternidade e paternidade não pode traduzir-se num pretenso direito ao filho, como se este pudesse ser reduzido a instrumento. A criança nascida de uma mãe contratualmente obrigada a abandoná-la não pode deixar de sofrer com o trauma desse abandono, conhecidos que são, cada vez mais, os laços que se criam entre mãe e filho durante a gestação.

A mãe gestante não pode, também ela, ser instrumentalizada e reduzida a uma incubadora, como se a gravidez não envolvesse profundamente todas as dimensões da sua pessoa e a obrigação de abandono do seu filho não contrariasse o mais forte, natural e espontâneo dos deveres de cuidado. A experiência revela que só o desespero de mulheres gravemente carenciadas as leva a aceitar tão traumatizante prática, sendo ilusório pensar que o fazem de bom grado ou gratuitamente.

Eleições

A Assembleia Plenária da CEP aproveitou a ocasião para divulgar a nota pastoral Votar por uma Europa melhor, que ressalta a importância do voto nas eleições para o Parlamento Europeu, no próximo dia 25 de maio.   

Estas eleições são uma particular ocasião em que todo o cidadão responsável deve aproveitar para, pelo seu voto, contribuir para a construção de uma Europa mais aberta e inclusiva, que justamente privilegie os mais pobres e marginalizados, que promova o diálogo intercultural e defenda a liberdade religiosa, em que a economia e as finanças não se arvorem em governos autocráticos, mas sirvam a pessoa humana e o bem comum. É recordado o direito e o dever moral de votar. Para os cristãos significa também o dever de não trair, na votação, a sua consciência iluminada pelos valores do Evangelho de Cristo.