Bispos sequestrados na Síria: avanço das negociações para a libertação

O assistente do enviado especial da ONU na Síria confirmou que um dos dois bispos está nas mãos de um novo grupo armado, pronto para liberá-lo somente depois do acordo com o governo Sírio

Roma, (Zenit.org) Naman Tarcha | 325 visitas

A guerra na Síria entre os vários extremistas e os grupos terroristas que continuam a aniquilar-se entre si, e agora estão completamente fora de controle, trouxe à luz novas revelações sobre o destino dos dois bispos ortodoxos sequestrados cerca de um ano atrás.

A boa notícia vem de Mukhtar Lamani, Assistente do enviado especial da ONU na Síria Al Akhdar Al Ibrahimi, que atualmente lidera a nova rodada de negociações em Genebra: "Temos provas de que um dos dois bispos está nas mãos de um novo grupo armado". Lamani, no entanto, não quis revelar de qual dos dois se trate - e disse que "os contatos com os seqüestradores com sede em Istambul na Turquia continuam, mas teme-se a influência e interferência do Governo turco".

As fontes falam de negociações em estágio avançado, e de uma libertação iminente, depois do assalto de um grupo armado à sede de uma brigada rival, onde encontraram apenas um dos dois prelados raptados. O grupo armado se declara pronto para libertar o bispo dentro de um acordo, porém não quer negociar por meio do general Abbass Ibrahim, chefe da Segurança Nacional libanesa, mas sim diretamente com o governo sírio, e pede um corredor seguro para entregar o bispo às forças sírias.

Em 23 de abril de 2013 chegou a notícia do seqüestro de dois Bispos da cidade síria de Aleppo: Yohanna Ibrahim, bispo siro-ortodoxo e Bulos Yazigi, Metropolita Greco ortodoxo, e irmão do atual Patriarca da Igreja Greco Ortodoxa. De acordo com informações recolhidas na época, quem sequestrou os dois bispos tinha sido um grupo armado de nacionalidade chechena, que tinha assassinado o diácono que os acompanhava e levado os dois prelados para um lugar desconhecido.

O sequestro aconteceu cerca de 30 km da fronteira com a Turquia, enquanto os dois bispos se dirigiam a Aleppo depois de uma missão humanitária na Turquia que visava libertar outros reféns. Ou seja, os dois sacerdotes Padre Michel Kayyal, armeno católico e padre Maher Mahfuz, greco ortodoxo.

Os dois haviam sido sequestrados por um grupo armado jihadista, durante o sequestro do microônibus que os levava a Damasco. Desde então perdeu-se o rastro dos dois sacerdotes. Desânimo, interesse, relatos conflitantes foram espalhados nos últimos meses sobre o destino dos dois bispos: alguns os consideravam mortos, outros afirmavam que estavam vivos e com boa saúde.

O problema é que nunca houve uma reivindicação real e não houve um avanço das petições dos sequestradores. A ausência de um dos bispos, junto com rumores de um refém ferido, fazem temer o pior. Talvez um deles já tenha morrido. As negociações insistentes e silenciosas para a libertação dos bispos nunca pararam, assim como as orações dos sírios, que hoje adquirem um novo ar de esperança.

Enquanto isso, os fiéis de Roma continuam a orar pelo destino dos reféns. Ainda ontem, na paróquia de Santa Maria in Portico em Campitelli, aconteceu uma vigília presidida pelo Bispo Auxiliar de Roma, Mons. Matteo Zuppi. Os fiéis e religiosos presentes rezaram pela paz no País do Oriente Médio e pela libertação de todos os seqüestrados, especialmente os dois sacerdotes Padre Michel Kayyal e padre Maher Mahfouz, pelos dois bispos ortodoxos de Aleppo, as Irmãs de Maalula e o jesuíta padre Paolo Dall'Oglio .

Trad.TS