Boa sorte Charlie: comédia familiar

Série apresenta dilemas enfrentados pelos adolescentes

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Andréia Medrado

BELO HORIZONTE, quinta-feira, 06 de dezembro de 2012(ZENIT.org) - A série de comédia familiar "Boa sorte, Charlie!" apresenta os divertidos dilemas enfrentados pelos adolescentes Teddy e PJ Duncan e seu irmão de 10 anos, Gabe, ao serem designados como “babás” do novo bebê da família, quando sua mãe, Amy, precisa voltar ao hospital onde trabalha como enfermeira em horário noturno, e seu pai deve levar adiante o seu negócio. Agora toda a família deve se unir para tomar conta da pequena Charlotte (apelidada Charlie), e seus irmãos devem cuidar dela ao voltarem da escola, ao mesmo tempo em que atravessam a adolescência.

Em tempos nos quais ter pouco ou nenhum filho é a grande lição deixada às crianças e adolescentes, surpreende uma série da Disney caminhar na contramão. Com humor levíssimo, próprio para o público infanto-juvenil, “Boa sorte, Charlie” encanta com seu roteiro simples e mensagens diretas sobre a importância da família, amizade, perdão etc.
A série conta a história de Amy e Bob Duncan, que casaram cedo; têm três filhos adolescentes, quando Amy engravida de Charlotte. O casal é frequentemente questionado e ironizado pela quantidade de filhos a que optaram ter. Contudo, as respostas são sempre encaminhadas para: “poucos são para os fracos”.

Durante toda a temporada, a família enfrenta situações não tão comuns, mas que colocam à prova os valores fundamentais da formação humana. Em todas as ocasiões, algum valor é passado para os telespectadores. Tudo o que acontece é, depois, relatado em vídeo feito diariamente por Teddy, irmã de Charlie, a fim de que a pequena aprenda um pouco mais sobre a família na qual nasceu. Esse documentário é um diário em vídeo, e nele, Teddy, ao mencionar as aventuras familiares dos Duncan, encerra com um sonoro “Boa sorte, Charlie”. 

A série é leve e corrida, não cansa nos seus vinte minutos de exibição diária, e pode, com suas tiradas geniais sobre quase todos os dramas familiares, temas politicamente corretos bem abordados por Phil Baker, criador e que assina a direção executiva da série. 
Amy, a mamãe Duncan, cuida de seus filhos e mantém as rédeas curtas, deixando bem claro quem manda na casa, e não deixa de estar com eles (embora nem sempre eles queiram) em suas maiores dificuldades. Ao melhor estilo Michael Kyle, ela ensina lições aos filhos, que passam, então, a não mais reincidir no erro. 
Um ano após o início da temporada, Amy engravida novamente. Alguns protestos, principalmente de Teddy, surgem para “apimentar” a relação da família. Mas o casal surpreende ao responder aos filhos que “sempre haverá espaço para mais um, e quanto mais Duncan, melhor”. Nasce, portanto, o quinto filho de Amy e Bob. 

Os Duncan mostram que é possível, em meio a essa onda de mito populacional e total escassez familiar, criar um lar farto: de amor, valores e principalmente de gente!
É possível encontrar nessa família um pouco do que ainda resta de valorização da inocência e da infância. As crianças são realmente crianças; os adolescentes, tipicamente adolescentes. Com suas crises, mas permeadas, cercadas dos cuidados dos pais. Enquanto vemos “Modern Family” como novo padrão familiar, “Good Luck, Charlie” chega para desestabilizar a visão moderna, e restaurar a família em sua forma mais imponente!
Ao ler o Catecismo da Igreja Católica, é possível associar a relação do casal Duncan com os filhos -uma vez que com eles assumem o compromisso de construir uma família que viva o respeito, o perdão, a comunhão -, com aquilo que é natureza da família sonhada por Deus. Este mesmo, nos números 2203 e 2223, a este respeito nos ensina:

"Ao criar o homem e a mulher, Deus instituiu a família humana e dotou-a de sua constituição fundamental. Seus membros são pessoas iguais em dignidade. Para o bem comum de seus membros e da sociedade, a família implica uma diversidade de responsabilidades, de direitos e de deveres.""Os pais são os primeiros responsáveis pela educação de seus filhos. Dão testemunho desta responsabilidade em primeiro lugar pela criação de um lar no qual a ternura, o perdão, o respeito, a fidelidade e o serviço desinteressado são a regra. O lar é um lugar apropriado para a educação das virtudes. Esta requer a aprendizagem da abnegação, de um reto juízo, do domínio de si, condições de toda liberdade verdadeira. Os pais ensinarão os filhos a subordinar 'as dimensões físicas e instintivas às dimensões interiores e espirituais.' Dar bom exemplo aos filhos é uma grave responsabilidade para os pais. Sabendo reconhecer diante deles seus próprios defeitos, ser-lhes-á mais fácil guiá-los e corrigi-los: 'Aquele que ama o filho usará com frequência o chicote; aquele que educa seu filho terá motivo de satisfação' (Eclo 30,1-2). 'E vós, pais, não deis a vossos filhos motivo de revolta contra vós, mas criai-os na disciplina e correção do Senhor' (Ef 6,4).

"A série não é um primor em atuações, mas é, de longe, uma proposta que encara a nova ordem mundial. É feita para adolescentes, como dito. E exatamente por isso, não se encaixa na tão comum alienação por nós já tão conhecida. Como acontecia nos desenhos dos anos 80, Teddy faz um balanço do dia, e dele retira uma lição. A diferença é o bom humor empregado. As risadas são garantidas. O seu filho pode assistir, e você também, caso queira rir e reviver as molecagens possivelmente vividas. 


Sinopse
Original: Good Luck Charlie (2009)
Gênero: Comédia
Criador: Phil Baker
Roteirista: Drew Vaupen

Maiores informações: http://www.projecoesdefe.com