"Boko Haram é um produto da corrupção", afirma o Bispo de Maiduguri, na Nigéria

Os fiéis da diocese de Maiduguri, situada no Norte da Nigéria são "muito corajosos e não têm medo"

Roma, (AIS) | 332 visitas

Apesar da permanente ameaça de actos terroristas por parte do grupo fundamentalista islâmico, "Boko Haram", os fiéis da diocese de Maiduguri, situada no Norte da Nigéria são "muito corajosos e não têm medo", segundo as declarações do Bispo de Maiduguri, D. Oliver Dashe Doeme, feitas recentemente à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

Apesar da sua diocese estar gravemente afectada pelos ataques aos cristãos, os fiéis "testemunham publicamente com coragem a sua fé". Inclusive pouco tempo despois dos ataques terroristas às igrejas, continuam a participar "em grande número" nos serviços litúrgicos.

A fidelidade dos seus sacerdotes constitui "um grande estímulo", disse o Bispo. "Apesar do permanente perigo de morte e das ameaças, os nossos sacerdotes continuam a desempenhar as suas actividades nas paróquias", declarou. O número das vocações é por si só um grande motivo de alegria. No seminário de Maiduguri existem actualmente 30 seminaristas. Recentemente foram ordenados oito novos sacerdotes na sua diocese.

O Bispo qualificou o grupo "Boko Haram" como um "produto da corrupção". Por isso - continua a dizer - para se alcançar a paz é necessário combater a corrupção dominante no país e oferecer aos jovens perspectivas de futuro. Certos grupos manipulam, na sua opinião, uma juventude sem perspectivas, enquanto os jovens que já têm um posto na sociedade não são tão fáceis de manipular. "Se alguém disser 'vai e mata', os jovens que têm formação e já ocupam um lugar na sociedade não o fariam", afirmou o bispo.

D. Oliver Dashe Doeme, referiu também que a Nigéria é um país rico em reservas naturais mas que a corrupção e a antiga concentração da economia exclusivamente na exploração do petróleo, enquanto os outros sectores - especialmente, a agricultura - não são fomentados, é uma grande desvantagem para este país da África Ocidental.

O grande desafio para a Igreja no Norte da Nigéria - segundo o Bispo Doeme - é a reconstrução das igrejas e edifícios eclesiásticos danificados, depois dos ataques terroristas, assim como a atenção e o cuidado pastoral, sobretudo das viúvas e dos órfãos.