Bósnia-Herzegovina: os grupos étnicos somente conseguirão a paz se se unirem

O presidente do conselho executivo internacional da AIS comenta a situação no País dos Balcãs

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ROMA, quarta-feira, 1 de agosto de 2012 (ZENIT.org) - "Quem crê chegar a uma solução através de novas divisões, deve ter um conceito desastroso da paz." Dessa forma Johannes Heereman von Zuydtwyck comentou as tentativas de resolver os conflitos na Bósnia-Herzegovina separando os grupos étnicos.

O Presidente do Conselho Executivo Internacional da Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) acaba de retornar de uma viagem ao país dos Balcãs, durante a qual visitou todas as dioceses católicas e conheceu vários membros da Igreja local.

Muitas das aldeias uma vez habitadas por católicos croatas estão agora abandonadas e em ruínas. Desde 1991 - ano do início da guerra - na República Srpska a população não sérvia diminuiu drasticamente e, como recentemente denunciou à AIS o arcebispo de Sarajevo, o cardeal Vinko Puljic, "apesar das promessas internacionais” muitíssimos católicos – de origem croata - ainda não podem voltar.

O seu retorno não parece ser uma prioridade na agenda da maioria dos políticos nacionais e internacionais. "Tenho a impressão – diz Heereman - que muitos são os que querem eliminar o problema de suas mesas, simplesmente criando novas linhas divisórias. Mas os grupos étnicos só alcançarão a paz juntos. E é nosso dever ajudá-los a encontrar um caminho de reconciliação". Durante a viagem à Bósnia-Herzegovina, o presidente executivo da AIS ficou profundamente impressionado com a imensa contribuição da Igreja Católica - embora esta seja uma pequena comunidade – para a reconciliação social. "Ser uma minoria não nos impede de contribuir para o desenvolvimento da sociedade", disse o Cardeal Puljic para AIS. A pastoral juvenil, por exemplo, une rapazes e moças de várias etnias. Que através do esporte podem conhecer-se, preparando o terreno para uma sociedade mais pacífica.

O apoio da Igreja não se limita apenas aos fiéis. "Fiquei muito impressionado com o carinho com que cuidam das pessoas deficientes e dos idosos, apenas uma pequena parte católicos. - Continua Heereman - A Igreja tem no coração os mais pobres sem olhar para o seu credo: qual o melhor testemunho de fé?".

Mas hoje, a dezessete anos após o fim do conflito, a Igreja precisa de ajuda. Muitos edifícios religiosos, mosteiros e igrejas ainda estão severamente danificados. Muitas aldeias têm de ser reconstruídas, de modo que muitos refugiados possam finalmente ter um lar para retornar. Dos 820 mim católicos que moravam na Bósnia antes da guerra, agora há apenas 460 mil. Cerca de 10 por cento da população, em comparação com 40 por cento de muçulmanos e 31 por cento de Sérvio-ortodoxos.

Em 2011 Ajuda à Igreja que Sofre tem sustentado a Igreja na Bósnia-Herzegovina, com uma contribuição de cerca de 850 mil euros. Além das muitas intervenções de reconstruções de Igrejas e edifícios religiosos destruídos durante a guerra - incluindo a reitoria da paróquia de Modrica, na arquidiocese de Sarajevo - a Fundação Papal sustenta numerosas publicações religiosas, como a revista teológica da Faculdade Teológica Católica em Sarajevo.

Trad.TS