Brasil: Bispo de Chapecó é ameaçado de morte

Colega arcebispo informa Conferência Episcopal e cobra proteção da polícia

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BRASÍLIA, terça-feira, 19 de junho de 2007 (ZENIT.org).- O arcebispo de Florianópolis (Santa Catarina, sul do Brasil), Dom Murilo S.R. Krieger, SCJ, informou essa segunda-feira à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) que o bispo de Chapecó (mesmo Estado da região sul do país), Dom Manoel João Francisco, vem sofrendo ameaças de morte e cobrou da polícia proteção para o seu irmão no episcopado.



O arcebispo divulgou uma carta de solidariedade a Dom Manoel, afirmando ter conhecimento de que o prelado tem sofrido ameaças de morte por sua posição em defesa dos povos indígenas Guarani, Kaingang e Xokleng, no episódio da demarcação e garantia de posse de suas terras, no Estado sulista.

«Somos testemunhas de que essa sua posição tem sido marcada por duas características principais: antes de tudo, pela maneira serena e tranqüila com que costuma apresentar seus argumentos e defender o que é justo; em segundo lugar, porque suas posições nunca excluíram a preocupação com a defesa dos direitos dos pequenos agricultores, que compraram ou receberam terras que não lhes podiam ter sido vendidas ou doadas, pois já eram ocupadas, há décadas, por povos indígenas.»

O arcebispo afirma que desde a chegada de seu colega à Diocese de Chapecó, em 1999, o episcopado é testemunha de que Dom Manoel sempre se preocupou com que as famílias dos agricultores atingidos pela demarcação das terras indígenas precisam ser devidamente indenizadas e reassentadas em outras terras.

«Em comunhão com o prezado irmão de episcopado, interpelamos as autoridades responsáveis, como já o fizemos em outras oportunidades, para que assumam suas responsabilidades frente aos erros do passado, indenizem as terras tituladas indevidamente a essas famílias, assegurem o justo ressarcimento pelas benfeitorias feitas nos imóveis e promovam os respectivos reassentamentos», afirma o arcebispo.

Dom Murilo Krieger acredita que quanto mais as autoridades demorarem para cumprir o que prescreve a Constituição brasileira, a respeito das terras indígenas, maiores serão os conflitos resultantes dessa demora.

«E, conseqüentemente, mais dolorosos serão os sofrimentos, tanto para os indígenas quanto para os pequenos agricultores envolvidos», escreve.

O arcebispo afirma que o episcopado sabe que «são injustas as acusações» ao bispo de Chapecó e «consideramos lamentáveis as atitudes de agressão à sua pessoa».

«Esperamos que o Ministério Público, ficando ciente dessas agressões, se posicione a seu favor e lhe garanta condições de segurança física», pede.

«De nossa parte, em nome dos bispos e de todo o povo católico de Santa Catarina, manifestamos-lhe nossa solidariedade, assegurando-lhe nossas orações diante de Deus, o Pai de todas as luzes, para que ilumine as mentes de todos os envolvidos, em vista da solução justa para todos os problemas que o prezado irmão e a Igreja de Chapecó estão enfrentando», escreve o arcebispo.