Brasil: Cardeal primaz destaca importância de ler a Bíblia segundo magistério eclesial

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SALVADOR, terça-feira, 4 de setembro de 2007 (ZENIT.org).- Neste início de setembro, mês que a Igreja no Brasil dedica à Bíblia, o cardeal primaz do país, Dom Geraldo Agnelo, dirigiu-se aos fiéis para enfatizar a importância da Palavra de Deus.



Em artigo remetido a Zenit essa segunda-feira, o arcebispo de Salvador afirma que «esta Palavra não é só notícia relativa à salvação, mas também é parte integrante no próprio evento da salvação».

«Não só tem por conteúdo Cristo, morto e ressuscitado, mas o próprio Cristo que fala através dos Seus enviados: “como enviados de Deus, pregamos em Cristo, sob os olhares de Deus” (2Cor 2,17). Os discípulos continuam a pregar e a ensinar em Seu nome e com a sua presença (cf Mateus 28,20).»

Segundo o cardeal Agnelo, hoje em dia muitos católicos, no afã de viver a fé à sua maneira, não se preocupam seriamente com a Palavra de Deus, ou ignoram a Sagrada Escritura.

Outros ainda «lhe dão interpretação individual ou de grupo, sem terem em conta a interpretação autêntica do magistério eclesial. Pelo contrário, chamado a viver a fé, o cristão necessita ler o livro sagrado e lê-lo de acordo com a Igreja.»

O cardeal Agnelo explica que o «Senhor confia a Sagrada Escritura à Igreja, para que incessantemente a leia, a interprete, a viva e anuncie; dá-lhe a luz do Espírito Santo, para que essa releitura seja interpretação objetivamente fundamentada e correta, sem manipulações nem acréscimos arbitrários».

«A verdade é um dom que a Igreja recebe do Senhor; não é motivo de orgulho, mas de gratidão humilde e grave responsabilidade. Em passado já longínquo, Jesus Cristo não se limitou a falar de uma vez para sempre, mas retoma essa mesma palavra e atualiza-a incessantemente com a luz do seu Espírito, por mediações humanas», afirma.

O cardeal cita então S. Irineu de Lion, para enfatizar que “onde está a Igreja aí está o Espírito de Deus e onde este o Espírito de Deus está a Igreja e toda a graça. E o Espírito é a verdade”.

«O patrimônio sagrado da fé, contido na Sagrada Tradição e na Sagrada Escritura, foi confiado pelos apóstolos à totalidade da Igreja», destaca Dom Geraldo Agnelo.

«As fórmulas, verdadeiras e garantidas pela infalibilidade, são indispensáveis, para que haja “uma só fé” (Efésios 4,5) e uma autêntica comunidade de fiéis e de testemunhas. A unidade de ensinamento e a linguagem comum estão ao serviço da comunicação e da partilha da fé.»

«Enquanto sinal eficaz de salvação, a Igreja recebe do Senhor Jesus a luz do Espírito Santo, que a conduz “à verdade total” para que todos os fiéis, guiados pelo magistério dos pastores, possam chegar “à unidade da fé do conhecimento”, sem serem “levados por qualquer vento de doutrina, pela maldade dos homens” e possam aderir cada vez mais a Cristo, vivendo segundo a verdade na caridade” (Efésios 4, 13-15)», afirma o cardeal.