Brasil: “lupa eleitoral” deve ser usada para avaliar envergadura moral dos candidatos

“Não basta prometer que vai fazer ou dizer que já fez”, afirma arcebispo

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BELO HORIZONTE, sexta-feira, 10 de setembro de 2010 (ZENIT.org) – No processo eleitoral deste ano no Brasil, os cristãos “estão instituindo e mostrando o quanto é decisiva a envergadura moral do candidato, avaliando os valores que definem seus juízos, critérios e suas opções políticas”, afirma o arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo.

O arcebispo considera – em artigo divulgado à imprensa nesta sexta-feira – que “é hora de mudar os rumos com a lupa eleitoral tecida pelos valores cristãos”.

“As eleições deste ano estão levantando, como lupa eleitoral, não apenas os feitos do candidato, mas, sobretudo, sua envergadura moral sustentada por valores irrenunciáveis quando se trata de escolher alguém para representar o povo e governar o Estado.”

“Não basta prometer que vai fazer ou dizer que já fez. Os eleitores, particularmente aqueles que iluminam a sua cidadania com a vivência e a confissão de sua fé cristã, estão convocando, com uma força considerável, toda a sociedade para que use a lupa eleitoral que mostra se o candidato tem cacife moral para a representação a que se propõe”, afirma Dom Walmor.

O arcebispo considera que a conduta moral dos candidatos deve-se pautar “no espírito de serviço, pelas virtudes da caridade, da modéstia, da moderação”.

“Mas, em especial – prossegue o prelado –, se o candidato norteia sua vida e suas decisões no respeito à vida, em todas as suas etapas, desde a fecundação até o declínio natural.”

Também se é “clara e comprovadamente contra o aborto e se não tem propensão para autoritarismos ideológicos que levarão à produção de mordaças à imprensa, ou ainda, tenha um modus interpretandi da realidade que influencie em escolhas de prioridades que não considere os excluídos da sociedade”.

“Que esteja atento também aos candidatos que estão mais na linha do populismo e do uso de mecanismos para produzir índices altos de aprovação”, indica.

De acordo com o arcebispo, “a envergadura moral, e não apenas a competência administrativa, está se tornando cada vez mais decisiva para quem usa a lupa eleitoral”.

“Os responsáveis por este movimento são os eleitores que estão se deixando mover por sua fé cristã, emoldurada e alavancada por valores que não podem ser negociados e que têm força para decidir rumos outros nestas eleições.”

Segundo Dom Walmor, a lupa eleitoral deve ser usada por toda a sociedade, “especialmente por aqueles que professam a fé cristã, com uma força diferente e qualificada - fora do contexto puramente partidário”.