Brasil: Não há divisão na Igreja por causa das eleições

Presidente da CNBB considera positiva discussão do tema do aborto

| 1593 visitas

BRASÍLIA, sexta-feira, 22 de outubro de 2010 (ZENIT.org) – O presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Dom Geraldo Lyrio Rocha, afirmou que as discussões em torno das eleições presidenciais no país não causaram um “racha” na Igreja.

Dom Geraldo Lyrio falou aos jornalistas nessa quinta-feira, em coletiva de imprensa em Brasília, no encerramento da reunião do Conselho Permanente da CNBB.

Ao destacar que o clima da reunião desta semana entre os bispos dirigentes da CNBB foi “muito sereno”, o prelado afirmou: “não há um ‘racha’ na Igreja por causa do momento político”.

“As decisões mais importantes do Conselho Permanente não estão tendo divisões e distanciamentos. Isso prova que não há racha nenhum”, disse, segundo informa a assessoria de imprensa da CNBB.

O presidente da CNBB considera normal que haja divergências em uma Conferência episcopal como a brasileira, que tem quase 450 bispos.

“Em um clima de liberdade que a Igreja procura cultivar, é perfeitamente compreensível que aqui ou ali alguém dê acentuação maior num aspecto e noutro. Não é porque eu discordei de você que eu devo interpretar que está havendo um racha”, disse.

Mesmo que tenha havido uma acentuação maior nas discussões ao redor do tema do aborto, o prelado afirma que “o estranho seria se nós chegássemos ao final do segundo turno sem que assuntos dessa gravidade tivessem entrado em pauta”.

Sobre a manifestação do bispo de Guarulhos (São Paulo), Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, que orientou os católicos de sua diocese a não darem o voto à candidata Dilma Rousseff, Dom Geraldo Lyrio afirmou que cada bispo, na sua diocese, tem o direito de se manifestar conforme sua competência de pastor.

“Tenho uma admiração muito grande por Dom Luiz Gonzaga Bergonzini e os seus procedimentos estão dentro daquilo que a Igreja espera. Ele, dentro da sua competência de pastor, tem o direito e até o dever de, segundo sua consciência, orientar seus fiéis do modo que julga mais eficaz e mais conveniente.”

“Ele está no exercício de seus direitos como bispo diocesano de Guarulhos e cada instância fala só para o âmbito de sua competência, tanto que ele não se dirigiu à nação brasileira. Este procedimento está absolutamente dentro da normalidade no modo como as coisas da Igreja se encaminham”, afirmou Dom Geraldo.

O arcebispo recordou também que não cabe à CNBB repreender nenhum bispo. “Acima do bispo no governo da Igreja só existe uma autoridade: o Papa. A CNBB não é um organismo para interferir nas dioceses, dar normas aos bispos ou repreendê-los”.

“O papel da Conferência é articular os bispos para facilitar o diálogo, a convivência e o exercício da nossa corresponsabilidade diante dos grandes desafios vividos pela Igreja e pela sociedade da qual a Igreja também deve se ocupar”, disse.