Brasil: orientações do Papa pedem vigilância dos rumos do governo

Para arcebispo, período pós-eleitoral não significa um acompanhamento de desfechos

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BELO HORIZONTE, sexta-feira, 5 de novembro de 2010 (ZENIT.org) – O arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, afirma que os católicos devem acompanhar de perto os rumos que os governantes darão ao Brasil agora após as eleições, fazendo uso das orientações dadas pelo Papa recentemente a um grupo de bispos do país.

“Os eleitores têm o direito e o dever de acompanhar o desempenho dos seus representantes no Executivo e no Legislativo. Este acompanhamento é uma imprescindível participação cidadã. Os eleitos estão, nem é necessário dizer, a serviço da sociedade civil”, afirma o arcebispo, em artigo enviado à imprensa nesta sexta-feira.

De acordo com Dom Walmor, no âmbito desse acompanhamento é oportuna a palavra de Bento XVI no discurso dirigido a um grupo de bispos brasileiros no dia 28 de outubro.

“O Pontífice conclamou os bispos, na sua tarefa de ensinar, a formar a consciência moral do povo e esclarecer com veemência a doutrina moral iluminando escolhas e discernimentos no âmbito da política, para garantir rumos adequados e inequívocos quanto ao respeito à vida - desde a fecundação até a morte, com o declínio natural; assim como na priorização de infraestrutura e erradicação da miséria.”

“Compreende-se, pois – prossegue o arcebispo –, que a orientação dada pede vigência vigilante quanto aos rumos que agora serão dados nas governanças estaduais e federais, bem como redobrar a atenção do mapa configurado nas assembleias legislativas, Câmara e Senado.”

Segundo Dom Walmor, “não se pode considerar que este período pós-eleitoral signifique um silêncio ou um acompanhamento de desfechos. A fé professada com sinceridade, ancorada em referências éticas, alimenta-se de uma fonte indispensável ao exercício desse serviço prestado pela comunidade política”.

“Por isso, como outros segmentos da sociedade, e em parceria com eles, a Igreja Católica, para além de interesses particularizados, tem uma tarefa importante na comunidade política, seja partindo da fé professada por seus membros ou pela obrigação de, orgânica e sistematicamente, oferecer confrontos e propostas que propiciem entendimentos visando o bem, a verdade, a dignidade humana, o respeito à vida e à justiça.”

O arcebispo afirma que “é equivocado o entendimento, mesmo por parte de analistas de variados campos do saber, quando pretendem exilar a religião e, mais diretamente, a fé professada da sua incidência, pela força ética e moral, os andamentos da comunidade política. Sendo o povo o sujeito da autoridade política, esse tem o direito de exigir, por ser detentor de soberania, respeito aos seus valores no atendimento de suas necessidades pelos serviços prestados”.

Segundo Dom Walmor, “espera-se audácias”. “O momento está exigindo e é propício para que se alcance, com mais rapidez, conquistas na infraestrutura, erradicação da miséria, avanços na ciência, tecnologia, economia e educação; e ainda, respeito à liberdade religiosa, promoção de valores humanos, morais e políticos. A fé cristã tem, pois, importante tarefa, também, agora depois das eleições”.