Brasil: Primeiro Congresso Nacional Católicos Online será totalmente pela internet

Entrevista com Wagner Moura, idealizador do Conacat. Do 11 ao 17 de Agosto.

Brasília, (Zenit.org) Thácio Siqueira | 616 visitas

“Fico satisfeito quando a comunicação católica é autêntica e promove soluções que aproximam os diferentes caminhos humanos, sem negar ou esconder os valores do Evangelho”, disse a ZENIT Wagner Moura, jornalista e idealizador do próximo evento, que reunirá 42 palestrantes digitais, o Primeiro Congresso Nacional Católicos Online (Conacat).

O objetivo, segundo o organizador, é buscar a Cultura do Encontro, seguindo a diretriz do Papa Francisco, também no mundo da Internet, levando a Igreja a todos os rincões do Brasil, e evitando “uma comunicação ressentida com o mundo”.

Wagner Moura cita como exemplo de evangelização o já conhecido blog “O Catequista” – cujo editor, Alexandre Varela, também participará como conferencista do Conacat - que já conta com “mais de 200 mil seguidores no Facebook e nunca fizeram nada na televisão, nem pregam em grandes eventos”, destacando que em seus encontros digitais “eles reúnem facilmente uma audiência de mais de 500 pessoas”.

“A internet não é uma ferramenta, mas um lugar em que habitamos”, afirmou o jornalista, e muita gente que se achava isolada em sua fé, sem ter com quem compartilhar ou em quem buscar inspiração encontrou na internet uma forma de fortalecer-se”.

Com essa expectativa Wagner Moura lançou essa iniciativa que parece estar sendo bem acolhida entre os jovens católicos internautas do Brasil.

Acompanhe abaixo a entrevista que o jornalista, Wagner Moura, concedeu a ZENIT:

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ZENIT- Como está a comunicação católica no Brasil? Suficiente ou deficiente?

Wagner Moura: Este é um debate que precisa contar com a participação dos protagonistas dessa comunicação, da qual fazem parte não só os comunicadores de veículos oficiais e oficiosos, mas também os novos comunicadores que anunciam o Evangelho por meio das redes sociais e, neste aspecto, há um potencial enorme. Conheço o trabalho de muita gente importante nessa área e posso dizer que a comunicação católica, no Brasil, está mudando a exemplo da comunicação secular também, justamente por influência do chamado social media. Tem muita gente produzindo novos conteúdos e todos querem participar desse processo, mas é preciso formação. Não cabe a mim dar uma avaliação sobre tudo isso, mas posso dizer que fico satisfeito quando a comunicação católica é autêntica e promove soluções que aproximam os diferentes caminhos humanos, sem negar ou esconder os valores do Evangelho. A medida certa, acredito, é evitar uma comunicação ressentida com o mundo. Isso não é bom, e definitivamente prejudica a Cultura do Encontro proposta pelo Papa Francisco.

ZENIT- A proposta do Conacat, nascida da sua experiência no Meeting de blogueiros em Roma, veio para formar a juventude brasileira, desejosa de evangelizar por meio da internet?

Wagner Moura: A experiência no encontro de blogueiros promovido pelo Vaticano ainda hoje faz eco em muitos lugares e apesar de o encontro inédito ter acontecido há três anos, no pontificado de Bento XVI, eu ainda não havia dado minha contribuição como gostaria aos católicos que habitam nas redes. A esse desejo somava-se também uma vontade de permitir que todo Brasil, especialmente as regiões que estão mais longe do Sudeste e Sul, como o Maranhão, meu estado de origem, pudessem ter acesso a esse compartilhamento de informações para fortalecer a evangelização e estimular os novos produtores de conteúdo a estarem sempre em comunhão com o que o Espírito diz a Igreja, hoje.

ZENIT- O maior país católico do planeta, o Brasil, tem uma forte presença de católicos na internet? 

Wagner Moura: Tenho a impressão que sim. Não tenho notícias de outro país que consiga reunir na maior rede social do mundo, o Facebook, fanpages com mais de cem mil assinantes para falar sobre a fé católica. Um exemplo importante é o trabalho dos blogueiros brasileiros do site O Catequista, eles tem mais de 200 mil seguidores no Facebook e nunca fizeram nada na televisão, nem pregam em grandes eventos. Em seus encontros digitais eles reúnem facilmente uma audiência de mais de 500 pessoas para participar de momentos de discussão que duram mais de uma hora. E a hierarquia da Igreja, no nosso país, está muito atenta a esses promotores de conteúdo católico. E percebo que quer contribuir com eles, especialmente por meio de eventos de comunicação formativos como o que a CNBB irá realizar no final deste mês. O Brasil pode ser tido como referência, é minha opinião. Mas isso não se sustentaria caso a hierarquia não aprovasse e há bons exemplos de apoio como especialmente no Rio de Janeiro, por parte do cardeal Dom Orani, um comunicador que sabe dialogar com os novos produtores de conteúdo católico; e em Campinas, São Paulo, por parte da Arquidiocese de Campinas, que tem no padre Rodrigo Flaiban um excelente case de comunicação na internet.

ZENIT- De acordo com o Papa Francisco, devemos todos buscar a cultura do encontro, criar essa cultura nos meios onde vivemos. O que você diria sobre essa cultura no âmbito da internet?

Wagner Moura: A Cultura do Encontro leva em consideração a sacralidade da vida humana. Quando eu estou consciente que aquela pessoa que não compartilha os mesmos valores que eu é uma vida querida e desejada por Deus, não me resta outra alternativa senão construir pontes que nos ajudem a conviver. E isso vale também para nossos relacionamentos na internet, é claro! A internet não é uma ferramenta, mas um lugar em que habitamos. E é para ela também a Cultura do Encontro. É bonito de falar, mas muito complicado de colocar em prática na maioria das vezes. No entanto cabe a todos nós tentarmos viver essa cultura a partir de nossas casas, sabendo construir pontes quando a mãe pede para lavar louça, quando o pai pede para consertar o carro, ou quando nossos irmãos insistem em não respeitar a nossa fé. Antes da internet tem a família, é preciso saber viver a Cultura do Encontro em família, em nossas comunidades e congregações cada vez mais.

ZENIT- Evangelizar é principalmente dar testemunho. Mas, como é possível dar testemunho na internet, sendo que não há o encontro físico das pessoas?

Wagner Moura: O pensamento de que a internet isola as pessoas não se sustenta. É exatamente o oposto: muita gente que se achava isolada em sua fé, sem ter com quem compartilhar ou em quem buscar inspiração encontrou na internet uma forma de fortalecer-se. Isso muda tudo para melhor, inclusive a vida nas paróquias e o relacionamento com a hierarquia da Igreja. Como é bom quando um padre sabe que sua ação pastoral tem efeito no jovem que, por causa dos laços que construiu pela internet, compreende melhor a missão de um padre e o respeita mais. É difícil dizer isso, mas sabemos que muitas vezes é na internet que os leigos, especialmente, encontram uma formação que por algum motivo pode estar deficiente em sua paróquia. E isso não é ruim! Ao contrário: leigos mais conscientes de sua missão, seja por causa da internet ou não, são sempre uma ótima presença na vida de nossas comunidades.

ZENIT- O que você espera do Conacat 2014? Como foi organizado? De quem você teve mais apoio para esse projeto?

Wagner Moura: O Conacat começou a um mês, quando entrei em contato com os primeiros palestrantes, todos muito solícitos e entusiasmados com a proposta que consideraram inédita. Recentemente o arcebispo da Arquidiocese de São Luís (MA), o vice-presidente da CNBB, Dom José Belisário da Silva, também aderiu ao evento e contribuiu com seu apoio pessoal. Eu espero, sinceramente, que por meio do Conacat a Igreja se envolva ainda mais com os rincões do Brasil, o interior do país e estimule iniciativas semelhantes. Tenho recebido muitos emails de jovens e adultos inscritos no Conacat que dividem comigo uma expectativa enorme de crescer na fé por meio das mais de 40 palestras do evento e de realizar o sonho de participar de uma iniciativa nacional acessível, próxima do local onde vivem, tão próxima quanto a internet.