Brasileiros lamentam morte de Zilda Arns

Mensagens de pesar chegam à CNBB e à Pastoral da Criança

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SÃO PAULO, quinta-feira, 14 de janeiro de 2010 (ZENIT.org).- Os telefones e emails da Pastoral da Criança e da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) não param de receber mensagens de pesar e solidariedade pela morte da Dra. Zilda Arns.

É o reconhecimento das autoridades políticas, civis e eclesiásticas –além de tantas pessoas comuns a quem ela ajudou– à mulher que dedicou a vida a cuidar das crianças pobres e suas famílias.

Zilda Arns fundou a Pastoral da Criança em 1983, que ela considerava “uma plano mais que humano, um plano divino”, segundo disse em uma entrevista na celebração dos 25 anos da Pastoral, difundida pela entidade. A Pastoral da Criança está presente hoje em 20 países. Só no Brasil, acompanha 1,8 milhão de meninos e meninas até 6 anos, em pouco mais de 4 mil cidades.

“A Pastoral da Criança é uma história de amor tão maravilhosa e tão guiada por Deus que eu acho que ela já nasceu quando eu nasci também. Porque a minha mãe me criou com o aleitamento materno, com carinho, com fé, com vida.”

“Mas quando eu decidi ser médica, missionária, eu senti que o que mais faltava às mães era ter maior conhecimento, fraternidade, apoio, para que elas pudessem cuidar melhor de seus filhos”, disse Zilda Arns na entrevista referida. 

Pesar

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou nota em que afirmou estar “profundamente consternado com a tragédia” que atingiu o Haiti e expressou sua solidariedade “em especial” à família de Zilda Arns.

O cardeal de Salvador (Brasil), Dom Geraldo Majella Agnelo, que quando era arcebispo de Londrina (Paraná) foi um dos iniciadores da Pastoral da Criança junto com Zilda, afirmou que ela foi uma “mulher que honrou o Brasil com seu trabalho de total doação à vida, através das crianças e suas famílias”. “Dra. Zilda deixa uma lacuna em nossos corações”.

O arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer, destacou em nota seu pesar pelo falecimento da fundadora da Pastoral da Criança. “Entre mães e crianças pobres ela passou a parte mais importante de sua vida! Agora ela faleceu junto com tantas mães e crianças pobres no Haiti...”, afirma o cardeal, em nota. Ele desejou ainda que “o exemplo de amor ao próximo deixado por Dra. Zilda permaneça como referência para todos”.

Funeral

O senador Flávio Arns, sobrinho de Dra. Zilda, informou de Porto Príncipe que o corpo da sanitarista está na base do Exército brasileiro no Haiti. Deve ser liberado hoje e chegar ao Brasil nesta sexta-feira. O velório e sepultamento serão em Curitiba (Paraná), onde ela residia.

Flávio Arns relatou as circunstâncias da morte de Dra. Zilda. Ela estava em uma igreja, onde proferiu uma palestra para cerca de 150 pessoas.

“Já tinha acabado seu discurso e estava conversando com um sacerdote, que queria mais informações sobre o trabalho da Pastoral da Criança. De repente, começou o tremor”, conta Arns. Ela foi atingida quando o teto desabou.

Segundo Flávio Arns, Dra. Zilda não ficou soterrada. O sacerdote que conversava com ela sobreviveu. Já outros quinze sacerdotes que estavam próximos a ela faleceram.

(Alexandre Ribeiro)