"Caminhos de Jesus", peregrinação na Terra Santa

Entrevista com Pe. Arturo Diaz, criador do "Caminhos de Jesus"

Brasília, (Zenit.org) Thácio Siqueira | 1129 visitas

Pontifical Institute Notre Dame Jerusalem Center, (http://www.notredamecenter.org/), é um centro da Santa Sé destinado a acolher os peregrinos católicos de todo o mundo que visitam a Terra Santa e querem ter a experiência de reviver os passos de Jesus.

ZENIT entrevistou um dos sacerdotes que trabalha no Centro, Pe. Arturo Diaz, LC, espanhol, com 21 anos de sacerdócio e com ampla experiência de missão ao redor do mundo.

Entre os seus trabalhos, Pe. Arturo criou uma peregrinação chamada "Caminhos de Jesus", que tem tido ampla aceitação entre peregrinos de diversas partes do mundo.

Publicamos a seguir a entrevista na íntegra:

ZENIT: O senhor mora na Terra Santa e atende os peregrinos? Como assim? Qual é a sua nacionalidade e há quanto tempo o senhor é sacerdote?

PE. ARTURO: Eu moro em Jerusalém há dois anos. Trabalho no Pontifício Instituto Notre Dame de Jerusalém, cujo principal propósito é servir os peregrinos e as peregrinações que vêm à Terra Santa. Minha nacionalidade é espanhola. Fui ordenado pelo Papa João Paulo II há 21 anos. Nestes anos, tenho desenvolvido o meu ministério sacerdotal em países como: Itália, Brasil, Argentina, México, Espanha e agora em Israel. Toda uma riqueza humana, espiritual e eclesial.

ZENIT: Vendo o vídeo "Caminhos de Jesus" (http://www.youtube.com/watch?v=u84S50ICle0&feature=email) dá para ficar com muita vontade de percorrer este caminho. Que transformação pode ter uma pessoa que faz este caminho?

PE. ARTURO: A melhor resposta seria a de que fizessem o caminho de Jesus. Transformando-o em palavras, é reviver o apaixonante convite de Jesus a seguí-lo. Neste caso, seguir os seus passos, percorrer seus caminhos, contemplar suas paisagens, encontrar o seu povo. Tudo isto, é claro, traz uma experiência única, transformadora. Faz reviver o evangelho. Nos coloca dentro da figura de Cristo. Em uma palavra: nos faz ser mais cristão.

ZENIT: Quais são os lugares que se visitam nesse Caminho de Jesus?

PE. ARTURO: Os lugares que se passa, se visita e em alguns se passa a noite, são: Nazaré, Séforis (cidade que José e Jesus provavelmente iam trabalhar), Caná, Chifres de Hattin (onde os Cruzados perderam para os muçulmanos em 1187), Vale das Pombas, Magdala (cidade de Maria Madalena), Tabgha (que comemora a multiplicação dos pães e dos peixes), Cafarnaum. Como pode ver, são muitos lugares e todos muito interessantes.

ZENIT: Por que esse nome: caminhos de Jesus, para a rota que o senhor propõe aos peregrinos?

PE. ARTURO: Quando comecei a trabalhar nestas terras, há dois anos, vinha repleto do Caminho de Santiago, na Espanha. Eu o fiz quatro vezes e percebi, todo o bem que fazia para os peregrinos. Esta convicção, levou-me a ver o modo como se poderia criar e transitar pelos caminhos de Jesus. Não era fácil, porque estes caminhos foram-se perdendo no tempo, nesses dois mil anos. Falando com franciscanos, arqueólogos, pessoas nativas e entendidas, aconselharam-me a fazer o Caminho pela região da Galiléia: de Nazaré para Cafarnaum, que é o caminho que atualmente propomos.

O nome vem porque percorremos os caminhos que Jesus percorreu.

ZENIT: Quantos dias de viagem? Há momentos de oração, reflexão, celebração dos sacramentos?

PE. ARTURO: Acontece como no Caminho de Santiago, os dias de viagem dependem do grupo e do tempo disponível. Nossa proposta básica é de três dias. Claro que há momentos de reflexão, oração e sacramentos. Destacaria: missas em Nazaré (a casa de Maria), Caná (renovação do sacramento do matrimônio, compromisso dos noivos), Magdala (perto das margens do lago de Galiléia). Além de momentos de reflexão evangélica nos lugares, e a recriação espiritual que supõe a contemplação dos lugares transitados por Jesus.

ZENIT: Como entrar em contato? Que línguas o senhor pode receber? Os peregrinos também vêm do Brasil e dos países de língua Português?

PE. ARTURO: Podem encontrar-me no Centro de Notre Dame de Jerusalém. Meu email é: adiaz.notredame@gmail.com Atendo especialmente os peregrinos de língua espanhola. Mas, também serão muito bem-vindos os de língua portuguesa. Pessoalmente só tenho boas lembranças do Brasil, onde trabalhei por quatro anos na PUC de Porto Alegre, com os gaúchos, algo inesquecível.