Campanha precisa sair do discurso e das promessas, diz arcebispo

D. Walmor de Azevedo considera que é prioritário o debate sobre a reforma do Estado

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BELO HORIZONTE, sexta-feira, 2 de julho de 2010 (ZENIT.org) - O arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, considera que a campanha eleitoral deste ano no Brasil precisa sair “do discurso e das promessas” e enfrentar o desafio de discutir “saídas urgentes para problemas sérios”.

Em artigo enviado a ZENIT nesta sexta-feira, o arcebispo destaca o tema da reforma do Estado.

“É incontestável a necessidade de mudanças mais profundas na organização do Estado e nos seus funcionamentos para não continuar protelando respostas e demorando demais na tarefa de encontrar saídas para problemas graves e de prioridades regionais e nacionais”, afirma.

Segundo Dom Walmor, no âmbito político, “nos bastidores das atuações e definições de prioridades há atrasos e desconsideração das urgências dos pobres, além de outros fatores que são gerados pela desonestidade, pela burocracia irracional que atrasa respostas e também pela ausência de urgência na busca de saídas”.

“Essa é uma faceta grave e desafiadora da crise de civilização que está em curso e que precisa ser analisada e enfrentada no bojo da sociedade brasileira. Não se pode navegar tranquilamente movidos apenas pelos ventos propícios do crescimento econômico”, afirma. 

De acordo com o arcebispo, essa crise “urge um entendimento do processo eleitoral como oportunidade para uma reforma do Estado, que vá além do ato de sufragar nomes apresentados por partidos. Ou como simples realização do desejo em ocupar um lugar sem ter a clareza e a competência técnica e moral, exigidos pela democracia representativa vigente na sociedade brasileira”.

O prelado assinala que a pauta de discussões “há de incluir análises pertinentes da realidade brasileira a partir da crise sistêmica que atinge o mundo inteiro”.

“Não é hora de assentar os entendimentos nos costumes tradicionais do caciquismo político envelhecido, tônica ainda tão comum na política brasileira”, escreve. 

Particularmente – prossegue Dom Walmor –, as necessidades dos pobres “não podem ser tomadas como mecanismo para impor uma direção personalista e perpetuadora de procedimentos que possam assegurar vitórias, sejam de pessoas ou partidos, mas que não tragam as garantias do ‘novo’ esperado no rumo de uma reforma do Estado, objetivando funcionamentos mais adequados - resposta eficaz a essa crise que está ameaçando sempre os mais fracos e desprotegidos”.

“Não basta analisar e compor um diagnóstico da crise atual. É necessária a tomada de decisão política sobre os meios mais adequados e eficientes para a superação das dificuldades do dia a dia.”

“Esse processo só avança se contar com pessoas competentes - técnica e moralmente - e com uma corajosa reestruturação das instituições, desde as prefeituras locais alcançando até a Organização das Nações Unidas (ONU)”, afirma.

O arcebispo afirma que existe uma grande dificuldade para se deslanchar esse processo da reforma do Estado “por causa da insatisfação e descrença no atual sistema político e nas instituições públicas consideradas apenas como espaços de corporativismo em favor dos poderosos, carentes de credibilidade”.

“A credibilidade de pessoas e de instituições públicas é uma saída prioritária e permanente”, afirma.

Segundo Dom Walmor, “é longo o caminho para que se possa desvencilhar dos mecanismos envelhecidos de burocratização que impedem respostas rápidas como o momento atual pede”.

“O processo eleitoral tem agora o desafio de ser um grande processo educativo e de efetivação de procedimentos para encontrar saídas”, destaca.

(Alexandre Ribeiro)