Cancelada a missa negra que um grupo de estudantes pretendia realizar na Universidade de Harvard

Arquidiocese de Boston organiza uma Hora Santa de reparação

Roma, (Zenit.org) Rocio Lancho García | 525 visitas

A missa negra programada na Universidade de Harvard para ontem, 12 de maio, foi cancelada, segundo o jornal da instituição, The Harvard Crimson. Nos últimos dias, houve muita polêmica em torno ao ritual proposto por uma organização estudantil independente dentro da célebre instituição, a Harvard Extension Cultural Studies Club.

A missa negra deveria começar às 8h30 em uma instalação dentro do campus. Após uma avalanche de críticas, os organizadores anunciaram que transfeririam o evento para fora do campus. No fim, a cerimônia não se realizou.

A presidente da Universidade de Harvard, Drew Faust, defendeu a decisão de permitir a "missa negra" no campus em nome da "liberdade de expressão", embora reconhecesse que o rito é "altamente ofensivo" para os membros da Igreja católica.

Ela reconheceu ainda que a "missa negra" teve origens históricas como meio de denegrir a Igreja e insultar um evento profundamente sagrado no catolicismo.

Faust chegou a dizer que a decisão do grupo de estudantes de organizar a "missa negra" era "repugnante" e acrescentou que a iniciativa "representa uma afronta aos valores fundamentais da inclusão, da pertença e do respeito mútuo que devem definir a nossa comunidade".

No entanto, ela explicou que, “de acordo com o compromisso da universidade com a livre expressão, incluindo as expressões que podem nos ofender profundamente, a decisão de seguir em frente é e será deles”. Faust declarou que “a realização de uma ‘missa negra’ planejada por um grupo afiliado à Escola de Extensão de Harvard nos desafia a reconciliar a livre expressão no coração de uma universidade com o nosso compromisso de gerar uma comunidade baseada na civilidade e no entendimento mútuo”.

Finalmente, a presidente da universidade disse que, "para reafirmar o nosso respeito pela fé católica em Harvard" e "para demonstrar que a resposta ao discurso ofensivo não é a censura, e sim o discurso razoado e o dissentimento robusto”, participaria da Hora Santa organizada pela arquidiocese.

Por sua vez, a arquidiocese de Boston mostrou profundo desagrado com as "missas negras" programadas para ontem no campus da Universidade de Harvard.

Em comunicado, a comunidade católica da arquidiocese expressava "profunda tristeza" e "forte oposição", reafirmando ainda o "claro magistério" da Igreja "sobre o culto satânico": "Esta atividade separa as pessoas de Deus e da comunidade humana, é contraria à caridade e ao bem e coloca os participantes perigosamente perto de obras do mal destrutivo".

A declaração da arquidiocese recordou também as recentes palavras do papa Francisco sobre Satanás: o papa nos avisou do "perigo de ser ingênuos e de não levar a sério o poder de Satanás, cujo mal está presente entre nós com uma frequência muito trágica".

A arquidiocese de Boston anunciou a hora de adoração eucarística reparadora e pediu a "todos os crentes e às pessoas de boa vontade para se unirem na oração por aqueles que estão envolvidos no evento, a fim de se darem conta da gravidade dos seus atos, assim como pedir a Harvard para se desvincular desta atividade".