Candidatos devem ter competência ética e administrativa, diz arcebispo

Para conseguir promover a justiça no Estado, destaca D. Walmor de Azevedo

| 735 visitas

Por Alexandre Ribeiro

BELO HORIZONTE, domingo, 31 de agosto de 2008 (ZENIT.org).- «A justiça é o objetivo e, consequentemente, a medida intrínseca de toda política». Sendo assim, «é imprescindível» escolher candidatos competentes ética e administrativamente, «para que o Estado seja capaz de realizar a justiça aqui e agora», afirma o arcebispo de Belo Horizonte.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo enfatiza que o Estado «precisa contar com pessoas capazes de atuar e garantir a justiça».

Em artigo enviado a Zenit essa sexta-feira, o arcebispo explica que a justiça, «como objetivo e origem do Estado, é de natureza ética».

«Compreende-se, imediatamente, que não é suficiente uma simples competência para a realização de algumas obras. Obras podem ser localizadas simplesmente em alguns lugares.»

«A justiça é um olhar que abrange o conjunto da vida da sociedade e incomoda com suas exigências de resposta, particularmente quando faz ver a situação dos excluídos e as condições indignas de vida de grande parte da população. Não é suficiente arrancar aplausos por aquilo que se fez», afirma.

Segundo Dom Walmor, «o fazer como resultado do comprometimento político deve ter uma abrangência muito mais ampla».

«Sua linha de inclusão tem que perpassar, sobretudo, as periferias e as condições degradantes dos que não participam, segundo o seu direito próprio, de benesses que são de todos e não têm oportunidade de inserção nas dinâmicas que vão definindo a vida e a ordem da sociedade. Só a justiça projeta luzes nestas sombras.» 

O arcebispo de Belo Horizonte considera que, na hora de escolher os candidatos, «a avaliação da competência administrativa deve estar pari passu com a acuidade ética dos que exercem a tarefa política».

«É determinante, pois, que os eleitores avaliem esta acuidade ética dos que se candidatam para averiguar a sua competência para o exercício da tarefa política.»

Dom Walmor enfatiza que as promessas «não têm nenhuma consistência de garantia no exercício desta tarefa».

«Quando se está de fora do jogo, sem o peso da responsabilidade de se dar agora a resposta, é fácil dizer que faria, pode fazer ou propor como se consegue alcançar aquela meta.»

O cumprimento da tarefa política –prossegue o arcebispo–, «supõe uma base ética da mais alta profundidade. Esta exigência requer contribuições significativas de quem pode oferecer parâmetros e tem autoridade moral para indicar valores».