Card. Kasper: Expus alguns questionamentos, refletiremos e o papa decidirá

Consistório extraordinário de cardeais sobre a família aborda a questão dos divorciados que voltaram a se casar

Roma, (Zenit.org) Rocio Lancho García | 594 visitas

O cardeal alemão Walter Kasper abriu o consistório extraordinário sobre a família e, ao terminar a manhã de trabalhos do colégio cardinalício, conversou sobre o seu discurso com alguns jornalistas. ZENIT estava presente.

O papel da família como Igreja doméstica é muito importante na situação atual, explicou o cardeal. Sobre os casos de divorciados recasados, ele afirmou que "o discernimento é necessário porque as situações são muito divergentes; não há uma regra geral porque, mesmo entre os divorciados recasados, há situações muito diversas". Ele falou também da sabedoria e da prudência, que são virtudes necessárias "para discernir as coisas e situações concretas. Porque a pessoa é um ser singular, com sua dignidade única".

Sobre a comunhão para os divorciados recasados, o cardeal disse não ter a solução, mas agregou: “Expus alguns questionamentos para fazer os bispos pensarem em sintonia com o papa, de maneira que seja o Santo Padre quem decida. Não eu".

Kasper recordou que a tarefa do sínodo é chegar a um consenso sabendo-se que a doutrina não pode ser mudada: "A questão é a aplicação na situação concreta". Dando um exemplo dessas situações concretas, o cardeal contou que, quando era bispo, um sacerdote lhe falou de uma senhora, já mãe, que se tinha voltado a se casar. Ela tinha preparado a filha para a primeira comunhão até melhor do que as outras mães, ainda casadas regularmente. A dúvida era se a filha podia receber a comunhão e a mãe não.

O cardeal repetiu que propôs perguntas para os cardeais pensarem juntos. "Queremos refletir. Precisamos de critérios. As situações são muito diversificadas".

Kasper revelou que conversou previamente com Francisco: "O papa me disse para fazer perguntas e ajudar a pensar, não para apresentar soluções prontas". O purpurado alemão comentou que, tendo fé na Igreja, podemos questionar: "Não é proibido ter dúvidas". E observou: "A situação mudou muito em nossa sociedade ocidental e surgem novas situações. Agora o sínodo tem que se fazer perguntas".

Descrevendo o ambiente do consistório, o cardeal Kasper falou de uma atmosfera muito espontânea: "O papa abriu uma discussão, não decidiu a priori. E agora ele deixa espaço para a discussão". Finalmente, o purpurado enfatizou que não será uma decisão “democrática”, já que "a Igreja não é uma democracia; é fruto de um processo sinodal, que é diferente de uma democracia, porque, no final, quem decide é o papa".