Cardeal Baldisseri: saber acompanhar as famílias no sofrimento

Congresso internacional sobre o Sínodo da família: diante das novas situações, a Igreja precisa responder aos desafios

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Redacao | 251 visitas

Os recursos da pastoral familiar diante dos desafios atuais foi o tema do encontro final do Congresso Internacional da Família, realizado nos dias 20 e 21 de março no Instituto Pontifício João Paulo II, em Roma. 

"Temos que enfrentar a realidade do jeito que ela é. Se estamos seguros da nossa fé, é necessário proclamá-la em alta voz", afirma o cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário geral do Sínodo dos Bispos em entrevista concedida à Rádio Vaticano.

"A iniciativa de abordar o tema da família e, portanto, também do casamento, foi um momento importantíssimo para a Igreja, incentivado pelo papa João Paulo II, tanto como pontífice quanto como estudioso", afirma o purpurado. Ele explica ainda que, muitos anos depois da famosa encíclica "Familiaris Consortio", o "papa Francisco acredita que é oportuno retomar este grande tema à luz do Evangelho e, mais ainda, com os tempos mudados, olhar com atualização para a Doutrina da Igreja". O cardeal observa que "muitos temas, muitos problemas, muitas situações mudaram com o tempo: a Igreja, por isso, tem que ser capaz de responder aos desafios".

E a atitude que devemos adotar para encarar esses desafios, explica o cardeal na entrevista, é "em primeiro lugar conhecê-los, e não só através da mídia, e fazer com que as pessoas se expressem e contem a sua própria historia". Assim, o sínodo teve a iniciativa de enviar um documento preparatório com um questionário composto de perguntas muito concretas, atuais e diretas, que, naturalmente, diz o secretário do sínodo, “tiveram impacto nas pessoas, que se sentiram à vontade para expressar o que elas pensam e mostrar o que elas vivem de uma forma direta, sem mediações”.

Perguntado sobre a dificuldade dos divorciados de acolher o testemunho dos esposos cristãos no tocante à experiência da graça no dia-a-dia, o cardeal Baldisseri explicou que, "com o questionário, nós tivemos o testemunho não só de pessoas que vivem o matrimônio de acordo com a fé, mas também de quem não o vive, de quem sofreu dramas, fracassos". Por isso, explica ele, "nos interessa conhecer também essas pessoas e os seus sofrimentos, para podermos cuidar delas mais pastoralmente e acompanhá-las". O purpurado indica que o primeiro passo é "acompanhá-las no sofrimento. Depois, ajudá-las também a encontrar soluções, as soluções que a Igreja considerar mais aptas e concernentes ao caso e que, ao mesmo tempo, estiverem dentro da verdade e da caridade". E acrescenta que "este é o drama: muitos casos não têm solução porque não recebem ajuda. Pode haver caminhos. O importante é que o tema seja tratado, que as pessoas falem. Quando falam, as pessoas já estão numa posição melhor, já estão contentes. É como um doente que está sozinho, abandonado, mas basta uma pessoa querida se aproximar para animá-lo, consolá-lo e dar esperança para viver".