Cardeal Bertone: cristãos são vanguarda de uma nova Europa

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ROMA, quarta-feira, 30 de maio de 2007 (ZENIT.org).- Os cristãos não são o «resto» de uma Europa que desaparece, mas a vanguarda de uma nova Europa, considera o cardeal Tarcisio Bertone.

O secretário de Estado Vaticano chegou na quarta-feira a esta conclusão na conferência que deu no Congresso «Cristianismo e secularização. Desafios para a Igreja e para a Europa», organizado pela Universidade Européia de Roma.

Em sua intervenção, ressaltou que «a história desmentiu os «messianismos sem messias» que, separando os valores do cristianismo, privatizando a fé e tornando a moral autônoma da religião, acreditavam construir uma humanidade autenticamente livre e digna.

Assim introduziu os paradoxos da Europa de hoje «que aspira a apresentar-se como uma comunidade de valores, rejeitando cada vez mais que existam valores universais», sucedendo o que o Papa Bento XVI, por ocasião do 50º aniversário dos Tratados de Roma, expressou como a «apostasia da Europa com relação a si mesma», inclusive antes que de Deus.

O cardeal Bertone esboçou que o fechamento aos valores transcendentais e à verdade, próprios da secularização, «não nutre, mas intoxica; não ilumina o intelecto, mas o distrai; não alimenta a vida interior, mas a mortifica inclusive até afogá-la; não reforça os valores, mas os torna mais incertos ou, inclusive, os esvazia».

Assim sendo, os cristãos não são concebidos como o «resto» de uma Europa que desaparece, mas como «a vanguarda de uma nova Europa que pode ser realista mas não cínica, rica em ideais, mas livre de ingênuas ilusões, inspirada na perene e vivificante verdade do Evangelho».

Por este motivo, os cristãos «têm o dever de ser ao mesmo tempo estranhos e presentes a seu próprio tempo e a todo tempo: estranhos às ilusões geradas pelo asceticismo e pelo niilismo, nos quais se debate o mundo secularizado, mas presentes em todas as dificuldades que se derivam de tais ilusões».