Cardeal brasileiro pede educação que conduza ao «sentido humano da própria existência»

«Encontremos caminhos e projetos para cuidar da nossa juventude», pede D. Geraldo Agnelo

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SALVADOR, segunda-feira, 18 de junho de 2007 (ZENIT.org).- «Todos clamamos por uma educação que possibilite aos jovens a iluminação necessária para conduzir o sentido humano da própria existência», afirma o arcebispo primaz do Brasil.



O cardeal Geraldo Majella Agnelo, em artigo enviado a Zenit esta segunda-feira, comenta sobre má qualidade da educação no Brasil e cobra melhorias nesse setor.

De acordo com o último Relatório Mundial de Monitoramento sobre Educação para Todos, da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), divulgado no final de 2006, o Brasil aparece em 72º lugar, num ranking de 127 países.

«Não existem escolas suficientes e de qualidade, desviam-se os recursos da merenda escolar e dos instrumentos pedagógicos, lamenta-se o salário e, conseqüentemente, a qualificação e a motivação dos professores», afirma o cardeal Agnelo.

De acordo com o arcebispo de Salvador (Bahia) --Estado brasileiro que vive atualmente um momento de descompasso da educação, com greves de professores e alunos sem aulas--, «constatam-se o alto índice de evasão e de reprovação nas escolas, criticam-se a metodologia e os resultados do ensino-aprendizagem. E isso, infelizmente, não incomoda mais a comunidade».

Ao fazer o apelo por uma educação que possibilite a formação necessária para a construção humana da própria vida, o cardeal Agnelo afirma que isso não é diferente do que foi apresentado por Jesus.

O «Mestre Jesus» disse: «“eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância”(Jo 10,10), “vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13ss)».

Segundo o arcebispo, na Conferência de Aparecida, os bispos da América Latina declararam, entre outras propostas, «crer e esperar manter com renovado esforço a nossa opção preferencial e evangélica pelos pobres e acompanhar os jovens na sua formação e busca de identidade, vocação e missão, renovando a nossa opção por eles».

«A Igreja participa das alegrias e esperanças, das penas e satisfações de seus filhos, quer caminhar a seu lado neste momento de tantos desafios para lhes infundir sempre esperança e consolo.»

«Conclamamos, pois, em nome do Direito, em nome da História, em nome da esperança que a todos nos alimenta, em nome da razão, conclamamos educadores e governo, administradores públicos e família, sociedade organizada e cidadãos, encontremos caminhos e projetos para cuidar da nossa juventude», afirma o cardeal.