Cardeal Brenes: gosto de ser um pastor que fique entre as ovelhas

Entrevista ao novo cardeal de Manágua, Nicarágua

Roma, (Zenit.org) Rocio Lancho García | 266 visitas

O arcebispo de Manágua, capital da Nicarágua, Leopoldo José Brenes Solórzano, é, desde a manhã do último sábado (22), cardeal da Igreja Católica. Após o Consistório e a imposição do barrete cardinalício das mãos do santo padre Francisco, Brenes passou a ser membro, juntamente com outros 18, do colégio cardinalício.

Durante a tradicional visita de cortesia, na Sala Paulo VI, ZENIT conversou com alguns cardeais, entre eles o cardeal Brenes, para comentar a sua vivência daquele dia, a sua relação com o Papa Francisco desde que era cardeal Bergoglio e a sua impressão ao ver o Papa emérito no Consistório deste sábado (22).

"Francisco é um homem de trabalho incansável, ele era o coordenador da redação do documento (Aparecida ndr.) e nos fazia trabalhar duro porque passava por todas as salas. Às vezes não dormia para trabalhar. Coincidentemente uma manhã eu estava entrando na capela, ele estava saindo do salão de ato e lhe disse ‘eminência, chegou cedo’ e ele me disse ‘não, na verdade estou saindo, vou tomar café’. Tinha passado a noite inteira trabalhando. É um homem muito próximo”, lembra o cardeal.

Também nos conta como nestes dias de trabalho durante o Consistório extraordinário sobre a família “deu-nos um exemplo de verdadeira humildade. Ele veio conosco da casa Santa Marta até aqui”. O cardeal acredita que Francisco “é um homem que está marcando uma época para nós, os bispos. Antes falava-se dos cardeais como os príncipes da Igreja, hoje o Santo Padre disse, vocês devem ser pastores que vão na frente das ovelhas, no meio e atrás”. Com relação a esta ideia, o cardeal de Manágua conta que disse ao Papa que ele gosta de ser um pastor que vai no meio, “porque quando a pessoa vai no meio, vai compartilhando com as pessoas toda a experiência”, e brincando acrescenta que “como as pessoas trazem comida, refrigerante, doces, aí também o pastor aproveita para comer bem e ir bem acompanhado”, o que fez o Papa sorrir.

Sobre a experiência que viveu no último sábado, o novo cardeal afirma que é “uma experiência muito bonita. Agradeço ao Senhor. Não esperava ser nomeado cardeal porque já temos um em Nicarágua. Contudo, o Senhor olhou para a minha pessoa. O Santo Padre foi inspirado pelo Espírito e aqui estamos, como costumo dizer, para trabalhar duro nesta nova evangelização e ir fazendo da Igreja que peregrina na América Latina e no mundo hoje, uma Igreja que viva em estado permanente de missão”.

Quando perguntado sobre a situação atual do seu país e dos principais desafios que estão vivendo, o cardeal Brenes explicou que “estamos trabalhando com a juventude, com as crianças, mas também estamos motivando para que em cada paróquia tenhamos equipes de animação missionária a partir de uma animação bíblica. Hoje todas as nossas dioceses vivem esse estado permanente de missão, dizendo e fazendo o que Aparecida nos estava motivando a fazer da Igreja, uma Igreja de discípulos e missionários de Jesus Cristo”. O cardeal nos recorda que recentemente celebraram os cem anos da província eclesiástica, arquidiocese de Manágua, e que o trabalho que fizeram está dentro da evangelização.

Com emoção nos fala também do encontro surpresa da manhã do sábado no consistório com o Papa emérito Bento XVI. "Quando o vi fiquei assustado”. O cardeal de Managua conta que ele foi nomeado arcebispo no dia primeiro de abril de 2005, quando o santo padre João Paulo II estava praticamente em agonia, à beira da morte. Então Bento XVI já como novo Papa o convidou a vir a Roma para receber a imposição do pálio de arcebispo no dia 29 de julho. “Tive muito carinho por ele e também sei que ele tinha muita proximidade comigo. Em 2007 vim falar com ele e os secretários me disseram: 'tem 15 minutos, portanto, fale 8 e deixe outros 7 ao Papa'. Porém, quando estava no escritório falamos 35 minutos, em um ambiente muito bonito”. Dessa forma, nos disse que nesta manhã quando foi cumprimenta-lo disse-lhe: “lembra que você me colocou o pálio?” e lhe respondeu: “sim, ali, há nove anos”. O papa emérito o parabenizou por este novo desafio e lhe prometeu a sua oração, sua proximidade e também lhe pediu que ore com ele. “O santo padre Bento foi para mim um homem muito próximo”.

(Trad.TS)