Cardeal Cipriani: Não façam uma caricatura do casamento

Arcebispo de Lima fala das uniões do mesmo sexo, do celibato sacerdotal e do encontro do papa com o padre Gutiérrez

Lima, (Zenit.org) | 564 visitas

No programa peruano de rádio "Diálogo de Fé", transmitido ao vivo no último sábado, 14 de setembro, o cardeal Juan Luis Cipriani, arcebispo de Lima, abordou o projeto de lei apresentado na semana passada no congresso do país andino, visando reconhecer a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

“É uma lei com a qual eu não estou de acordo. Não acho que é uma exclusão de ninguém. Quem quer ter a sua relação [homossexual] tem o direito civil de fazer os seus contratos, mas não podem fazer uma caricatura do casamento", declarou o prelado, conforme nota difundida pela assessoria de imprensa arquidiocesana.

Em outro momento do pronunciamento, o arcebispo de Lima recordou que o celibato não é um dogma, mas um dom de Deus muito importante para a vida do presbítero.

Diante deste tema polêmico devido às recentes declarações do secretário de Estado do Vaticano, dom Pietro Parolin, o cardeal Cipriani afirmou que "quando se fala do celibato sacerdotal, todos nós sabemos que ele não é um dogma. O celibato é um tesouro para o sacerdócio e é o motivo que atrai milhões de jovens para a vocação sacerdotal. Estão querendo criar uma confusão", alertou.

Cipriani explicou também que, “num mundo em que o relativismo e o hedonismo imperam, eu entendo que a castidade e o celibato brilham e há quem tente denegri-los com todo tipo de ataques. A Igreja proclama a castidade para todos e o celibato como uma condição para o Reino dos Céus, por um amor maior".

"Somos apaixonados no nosso amor por Jesus, não somos solteirões. Fazemos isso por uma entrega maior, que vale a pena”, completou.

Durante a fala no rádio, Cipriani fez diversas observações sobre a recente reunião do papa Francisco, no Vaticano, com o teólogo peruano Gustavo Gutiérrez, um dos pais da Teologia da Libertação.

“A Igreja não aceita a luta de classes marxista. A Igreja sempre manteve a opção preferencial pela pobreza com nome e sobrenome, que foi objeto de um estudo profundo feito por uma das melhores cabeças, o papa Bento XVI", enfatizou o cardeal.

Cipriani considera que certas ideias da juventude precisam ser retificadas na maturidade. "Estudando bem a instrução de Ratzinger, fica muito claro que os escritos de Gutiérrez têm que ser corrigidos", concluiu o arcebispo de Lima.