Cardeal Dom Raymundo Damasceno: a sua alma é uma casa que não tem portas

Uma origem nos ecos da fé

Brasília, (Zenit.org) José Barbosa de Miranda | 1153 visitas

Nascido entre as montanhas mineiras, acostumado com as badaladas dos sinos que anunciavam o início das atividades litúrgicas, Raymundo ecoava a fé, ainda menino. Uma fé que iria ecoar além montanhas. Primeiramente despertou-se pela vocação à vida consagrada, através dos irmãos maristas. Mas, sentiu um chamado mais forte e mais comprometedor, a vocação sacerdotal. Deixa os maristas e vai para Mariana, entrando no seminário menor Nossa Senhora da Boa Morte, em 1954.

Quando ia cursar filosofia, Dom Newton de Almeida, primeiro arcebispo de Brasília (1960 - 1984), o chama para a Arquidiocese de Brasília, que estava sendo criada. Aceita o convite. Vai cursar filosofia em Roma, alongando-se até Alemanha e Jerusalém, especializando-se em catequese.

Ordenado sacerdote, assume diversas atividades na Arquidiocese, sempre voltado pelas atividades pastorais, dedicando-se ao laicato.

Um bispo fiel ao seu superior.

Ordenado bispo auxiliar da Arquidiocese de Brasília, serviu com obediência, sem extrapolar os seus limites. Delegado por Dom José Freire Falcão, segundo arcebispo de Brasília (1984-2004), cria o Curso Superior de Teologia, hoje Faculdade de Teologia (www.fateo.edu.br), destinado a formar leigos para as diversas atividades pastorais. Neste período teve participação concreta não só para aquelas finalidades, mas grande preocupação com a formação do leigo para atuar nos diversos campos sociais, criando, paralelo ao Curso Superior de Teologia, um Curso de Formação Política com grande enfoque na Doutrina Social da Igreja.

Sempre disposto a servir

Desempenhou tarefas na CNBB, como seu Secretario. Por dois mandatos consecutivos foi Secretário da CELAM, sendo que a Assembléia de São Domingos foi realizada quando ele era seu Secretário. Participou de vários Sínodos indicado por Sua Santidade Bento XVI, inclusive o africano. A V Conferência Geral do Episcopado Latino Americano - CELAM - foi realizada na Arquidiocese que ele preside como pastor, Aparecida, concluído com a sua eleição para Presidente do CELAM. Hoje Dom Raymundo Damasceno, entre tantas responsabilidades na Igreja, é Presidente da CNBB.

Quando escolhido por Bento XVI para compor o Colégio Cardinalício, a sua explicação foi simples como ele o é: "Deus sempre nos pega com cada uma... Mas se ele me pegou, vou servir como o menor dos servos de Cristo."

Um pastor com simplicidade e despojamento

Em Aparecida, Dom Damasceno é aquele que acolhe com um sorriso e um coração sempre aberto. Teve a gentileza, certa ocasião, de ser cicerone, meu e de minha mulher, naquela “metrópole” que se chama Santuário Nacional de Aparecida. Noutra ocasião, entre vários, interrompeu seus trabalhos para receber uma família, que não conhecia, e que visitava Aparecida, mostrando-lhe toda a sua residência. A qualquer hora ele atende o telefone, inclusive o celular. A sua alma é uma casa que não tem portas. Ele é um Pastor que aprendeu a viver a dimensão da acolhida.