Cardeal Eleito fala sobre igreja no Oriente Médio

Sua Beatitude Antonios Naguib, relator geral do atual assembleia do Sínodo

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CIDADE DO VATICANO, domingo, 24 de outubro de 2010 (ZENIT.org) - Entre os participantes da assembleia para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos há um padre sinodal egípcio que forma parte dos 24 novos cardeais nomeados pelo Papa Bento XVI.    

Trata-se de Sua Beatitude Antonios Naguib, Patriarca da Alexandria dos Coptas no Egito. Em março de 2006, ele foi eleito patriarca. É também presidente da Conferência Episcopal deste país.

O prelado participou nessa quarta-feira de um encontro com os jornalistas na sala de imprensa da Santa Sé, após as intervenções da manhã na assembleia sinodal.

Não estigmatizar os muçulmanos

Sua Beatitude Antonio Naguib advertiu dos perigos da islamofobia, quando se compara o islamismo com o terrorismo: "Quantos muçulmanos existem no mundo?", perguntou. Ele mesmo respondeu: 1,2 bilhão.

"Se dissermos que 10% são terroristas, teríamos 120 milhões". E concluiu: "se houvesse 120 milhões de terroristas no mundo, não haveria nenhuma forma de vida".

"Essa é a mensagem", disse. "Sabemos que a questão pode ser resolvida, que é possível encontrar pontes, reunir ideias, ajudar a amadurecer, combater. É algo factível".

O Oriente Médio - acrescenta - sofreu "dias negros, quando os cristãos eram perseguidos e refugiavam-se nos países muçulmanos próximos", pois ambos credos viveram juntos por 14 séculos. "Vivemos bem, somos próximos dos muçulmanos".

Neste sentido, Sua Beatitude Naguib garantiu, a respeito dos resultados do sínodo: "não sei se os fiéis sentirão diretamente que o sínodo resolve seus problemas. Essa é nossa tarefa".

Em busca da paz

Diante da pergunta de um jornalista sobre o tráfico de armas entre Oriente e Ocidente, Sua Beatitude Antonios Naguib garantiu: "Se o mundo guardasse por mês o que gasta em armas, poderia combater em um dia a pobreza no mundo".

"Com a suficiência econômica, diminuiria este sentido de raiva, de querer vingar-se de todo mundo sem razão", pontualizou.

Contudo, disse que não acreditava que nas conclusões do sínodo estaria incluso este ponto: "A Igreja não tem um papel político. É preferencialmente um papel pastoral".

Celibato

Um dos jornalistas perguntou sobre o tema dos sacerdotes casados, pelo fato do Código do Direito Canônico Oriental fazer uma excessão e permitir a homens que contraíram o matrimônio ordenarem-se sacerdotes. 

Esta excessão acontece nas igrejas de ritos orientais que inicialmente estavam separadas de Roma e que recuperaram sua plena união com a Santa Sé, pelo motivo de permitir manter esta disciplina. "A Igreja latina lutou pelo celibato, eu respeito as instruções da Igreja latina", disse o patriarca. 

O futuro cardeal garantiu que o fato de admitir ou não sacerdotes casados no rito latino "não resolverá o problema das vocações e não resolverá o bom ou mau comportamento do sacerdote". E disse que o mais importante é levar com coerência e fidelidade a disciplina com a qual se vive a própria vocação.

Por último, e referindo-se novamente à situação da Igreja no Oriente Médio, o patriarca copta destacou a importância do valor da oração pela Igreja neste lugar do planeta, a qual nos "ajuda a levar adiante nossa missão na terra que o Senhor nos confiou".