Cardeal Filoni apresenta conferência sobre a consciência missionária hoje

Prossegue Curso para Bispos promovido pela arquidiocese do Rio de Janeiro

Fortaleza, (Zenit.org) Maria Emilia Marega Pacheco | 375 visitas

Prossegue até o dia 7 de fevereiro o Curso para Bispos promovido, anualmente, pela arquidiocese do Rio de Janeiro. Dom Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, abriu os trabalhos na manhã desta quarta-feira (5). O tema da conferência foi: Missão ad gentes- Fenomenologia da consciência missionária hoje.

O Cardeal deu início à conferência citando o Papa Francisco em sua recente Exortação Apostólica Evangelii Gaudium: "Há uma necessidade   imperiosa    de   evangelizar   as   culturas   para   inculturar   o Evangelho". Referindo-se tanto aos países "de outras tradições religiosas", quanto aos "de tradição católica", como os "profundamente secularizados". “Em síntese, aqui encontramos os sujeitos da evangelização, com uma extensão do termo para três situações que nestes últimos cinquenta anos se delinearam bem” – destacou Filoni-. 

A evangelização de outras tradições religiosas corresponde à evangelização ad gentes. A distinção entre a expressão tradicional missão ad gentes ou primeira evangelização e nova  evangelização  -recordou o Cardeal- ocorreu  de forma  específica nos últimos  30/35 anos, ou seja, a partir  de Papa João Paulo II. 

Dom Fernando Filoni recordou ainda que nos cinquenta anos pós-conciliar a tradicional missão ad gentes passou na Igreja por uma profunda transformação. E citou alguns macrofenômenos: A forte perda de impulso missionário nas vocações, o aumento da solidariedade eclesial aos países missionários e em fase de desenvolvimento e a ação do laicato católico.

Outra transformação ocorrida dentro das Igrejas particulares dizia respeito a dois aspectos: “os missionários e a cooperação entre as Igrejas”. A cooperação entre Igrejas é um aspecto - referiu Dom Filoni- que se desenvolveu de várias formas: “no âmbito da consciência e participação missionária que envolve o envio de missionário fidei donum  (religioso e leigo) em forma temporária e estável: a doação de vocações na maior parte da África e da Ásia para a Europa  e para a América do Norte, formas  de adoção vocacional da parte  das Dioceses mais ricas com bolsas  de estudo,  tanto  nos países  de origem  das vocações quanto  nos países  de doadores   e  enfim,  o  patrocínio  de  projetos   econômicos  seja  religiosos  seja  sociais.”

A propósito do missionário fidei donum, Filoni demonstrou a preocupação com o fenômeno migratório intra-eclesial, e recordou que a “Congregação   para   a Evangelização dos  Povos recomenda  que exista sempre   um  “acordo   claro  e  temporário” a fim de que Igrejas de origem não fiquem sem pessoas qualificadas e bem preparadas.

As Igrejas missionárias que dependem da Congregação para a Evangelização dos Povos atualmente são 1.110 (506 na África, 80 na América, 478 na Ásia e 46 na Oceania), ajudadas quase inteiramente por agentes locais, entre eles, sacerdotes, religiosos, religiosas e catequistas – informou o Cardeal-.

Nos territórios que dependem da Congregação existem: 96 institutos universitários agregados ou afiliados à Pontifícia Universidade Urbaniana; 364 Seminários Maiores (21.825 seminaristas); 406 Seminários Menores (4.184 propedêuticos, 47.143 menores); 1.882 noviços; e 4.139 noviças.

Sobre a preocupação de muitos  Bispos  pela  crise produzida pela secularização  que envolve toda a Igreja, “particularmente nos países ocidentais, onde as vocações sacerdotais  e religiosas diminuíram, também por causa da falta de natalidade em muitos  países”, o Cardeal Filoni recorda que o” Papa chama  tudo  isso de “desafios” e exorta  a não deixar-se  “roubar  a força missionária”, nem a deixar-se  levar por um “pessimismo estéril”, ou por um “sentimento  de derrota” que leva à perda  da esperança.

Dom Fernando destacou também que em alguns contextos uma grande obra missionária pode ser realizada pelos movimentos leigos e associações de  fiéis. “Tenho de dizer com satisfação   que  alguns   desses   movimentos   ganharam  uma   consciência   missionária extraordinária, que  deveria  ser  mais  valorizada  pelos  pastores”.

A respeito da América Latina, o Cardeal afirmou que um dos aspectos que mostram um crescimento na consciência missionária “pode ser visto na celebração de periódicos congressos missionários. Se trata de “momentos muito importantes em que o Povo de Deus toma consciência da própria responsabilidade missionária e promove a animação nos níveis locais, regionais e nacionais”.

Neste contexto, o Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos exortou: “Não se pode pensar que uma região, como a latino-americana, que no âmbito de Igreja universal nos deu um Papa na pessoa do Cardeal Bergoglio, não possa dar e fazer mais, tendo por cinco séculos recebido tanto em termos de fé, de missionários e apoio econômico!”.

Por fim, Dom Fernando Filoni desejou “à Igreja no Brasil uma consciência  missionária profunda,  não apenas  ad intra, mas também  ad gentes, na consciência  de que uma Igreja amadurecida não deixará de ter no coração a obra missionária no mundo  e que o entusiasmo pela evangelização seja semente  de renovação   espiritual   e  moral   de  nosso  povo”.