Cardeal Gracias: violência anticristã na Índia é «loucura»

O arcebispo de Cuttack-Bhubaneswar é ameaçado de morte

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BOMBAIM, quarta-feira, 24 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- A violência anticristã na Índia é «uma vergonha e uma loucura», denuncia o arcebispo de Bombaim.

O cardeal Oswald Gracias, em uma entrevista concedida ontem ao jornal vaticano L’Osservatore Romano, afirmou que esta campanha de ódio contra os cristãos é «inexplicável», uma «vergonha» e uma «loucura».

«Na Índia, todas as pessoas de boa vontade, sejam cristãs, hindus ou muçulmanas, estão horrorizadas e estupefatas diante dos atos diabólicos de caça aos cristãos para matá-los e destruir suas casas e Igrejas.»

«Não se deve ceder à tentação da resignação, e muito menos à da vingança. No final não será fundamentalismo que prevalecerá. A oração, também pelos que nos odeiam, é nossa principal arma», acrescentou.

Apesar da situação atual, o purpurado explicou que a Índia «é um grande país no qual estão colocadas muitas esperanças: sempre pensei assim, e me comovi quando o Papa me repetiu isso pessoalmente no momento de criar-me cardeal, em novembro do ano passado».

Acrescentou que esta esperança tem um apoio importante no diálogo inter-religioso, necessário para dar «esperança à Índia e ao mundo inteiro». 

«A liberdade religiosa é a primeira das liberdades. Só um verdadeiro diálogo inter-religioso permitirá eliminar qualquer possível causa de tensão e desacordo entre grupos religiosos e étnicos na Índia.»

«O diálogo é vital, fundamental. A Igreja nunca deixou de promovê-lo», acrescentou. Um diálogo «que não deve ser empobrecido pelo sincretismo, mas que deve desenvolver-se no respeito recíproco».

Neste sentido, afirmou o cardeal Gracias, a Igreja Católica «continuará defendendo os pobres, os doentes, sem reparar se são hindus, muçulmanos ou cristãos. Reafirmando o direito à vida para todos: é horrível que os recém-nascidos sejam assassinados se forem de sexo feminino».

Os católicos, concluiu, «rezam e trabalham para que os problemas que tanto nos estão fazendo sofrer sejam extirpados pela raiz, para que todos os indianos possam estar unidos, sem distinção, na justiça. Temos um objetivo claro: que ninguém vá dormir com fome, que não se ofenda nenhuma dignidade, que não sejam negados os direitos das minorias, inclusive a liberdade religiosa, e que nenhum pobre seja abandonado».

Ameaças de morte

O cardeal Gracias se mostrou, contudo, preocupado pela inação das autoridades locais das regiões nas quais se desatou a perseguição, apesar do apoio aos cristãos mostrado pelo governo da nação.

Neste sentido, os bispos se dirigiram ao primeiro-ministro Singh em várias ocasiões para pedir-lhe ajuda. Neste momento, Dom Raphael Cheenath, arcebispo de Cuttack-Bhubanesar (a diocese mais afetada pela violência), espera ser recebido, junto com uma delegação do clero católico.

Dom Cheenath, que estava viajando no momento em que estourou a perseguição, viu-se impossibilitado de voltar, após ter recebido ameaças de morte por parte dos extremistas.

«na semana passada recebi uma carta arrepiante na qual os grupos hindus me ameaçavam, ‘sangue por sangue e vida por vida’. Na carta, dizem que serei assassinado se voltar a Orissa», explicou ao serviço de imprensa da Conferência Episcopal Indiana. Há dois dias, a casa do bispo foi atacada com pedras.

O prelado acrescentou que não confia no governo local, «que fracassou na hora de proteger a vida dos cristãos nos distritos de Kandhamal e Sambalpur».

Por sua parte, o arcebispo de Bangalore, Dom Bernard Moras, divulgou um comunicado através da agência SAR, no qual «condena firmemente» a onda de violência que sua diocese está padecendo, especialmente «a profanação de igrejas e das espécies eucarísticas» em várias paróquias no domingo passado.