Cardeal Kasper constata consensos com comunidades nascidas da Reforma

Em sua intervenção ante a reunião dos cardeais com o Papa

| 599 visitas

Por Miriam Diez i Bosch

 

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 30 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- Percebem-se sinais «alentadores» nas relações entre a Igreja Católica e as comunidades eclesiais nascidas pela Reforma Protestante, segundo o cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção do Diálogo entre os Cristãos.

«Todas as comunidades eclesiais se mostraram interessadas pelo diálogo e a Igreja Católica dialoga com quase todas as comunidades eclesiais», disse o purpurado na sexta-feira, 23 de novembro, no encontro prévio ao consistório, que reuniu em Roma os cardeais de todo o mundo em torno de Bento XVI.

«Um certo consenso se conseguiu no âmbito da verdade da fé, sobretudo no que concerne às questões fundamentais da doutrina sobre a justificação», explicitou o cardeal em sua palestra introdutória sobre a questão ecumênica, tema prioritário do encontro.

«Em muitos lugares existe uma frutuosa colaboração na esfera social e humanitária. Difundiu-se progressivamente uma atitude de colaboração recíproca e de amizade, caracterizada por um desejo profundo de unidade, que permanece como tal ainda que haja, de vez em quando, tons mais duros e desilusões ásperas», constatou.

«De fato, a intensa rede de relações pessoais e institucionais levadas a cabo no tempo faz com que se resista a tensões ocasionais», explicou.

«Não há nenhum bloqueio na situação ecumênica, mas sim uma mudança profunda», precisou o cardeal, dirigindo-se a seus irmãos no Colégio cardinalício. Esta transformação é «a própria mudança experimentada pela Igreja e pelo mundo em geral».

Entre as mudanças, citou que depois de ter chegado a um «consenso fundamental sobre a doutrina da justificação», neste momento se discutem «temas controvertidos clássicos» como a «eclesiologia e os ministérios eclesiais».

O cardeal Walter Kasper diferenciou o ecumenismo do diálogo inter-religioso dizendo que o ecumenismo «encontra seu fundamento no testamento que Jesus deixou na véspera de sua morte: ‘Ut unum sint’ (João 17, 21) (‘Que todos sejam um’)».

Recordando o Concílio Vaticano II, que definiu a promoção da unidade entre os cristãos como um de seus principais objetivos e como um impulso do Espírito Santo, o cardeal evocou as palavras de João Paulo II, segundo o qual «o caminho ecumênico é uma via irreversível» e sublinhou como «o Papa Bento XVI – já desde seu primeiro dia de pontificado –, assumiu como compromisso primário trabalhar sem poupar esforços para a reconstituição da plena e visível unidade de todos os seguidores de Cristo».

«O Papa é consciente que para isso não são suficientes as manifestações de bons sentimentos, mas são necessários gestos concretos que entrem nos ânimos e movam as consciências», afirmou.