Cardeal Kasper: misericórdia é necessária para vida social

Ao inaugurar a “Perdonanza” instituída por Celestino V

| 1558 visitas

COLLEMAGGIO, segunda-feira, 30 de agosto de 2010 (ZENIT.org) - Sem misericórdia "se desmorona a coesão de uma cidade e de uma sociedade". Sem a "superação do espírito de individualismo e de egoísmo, em que cada um pensa somente em seu benefício, não podemos construir um novo futuro".    

Assim afirmou o cardeal Walter Kasper, presidente emérito do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, ao presidir no último sábado o rito de abertura da porta santa da basílica de Santa Maria de Collemaggio.

Nesta localidade, o Papa Celestino V instituiu, em 1294 (antes de abdicar), a grande "Perdonanza", um jubileu com indulgência plenária. Bento XVI quis honrar esse Papa durante sua visita a Sulmona, no último dia 4 de julho.

O cardeal Kasper, enviado papal para a Perdonanza deste ano, afirmou que o Papa Celestino "viveu em uma época em que a Igreja era rica e poderosa, mas também com uma grave crise interna, devido ao seu envolvimento na política, em assuntos de dinheiro, em conflitos e intrigas internas, uma Igreja muito mundana e, por isso, pouco espiritual".

Hoje, "em uma situação muitas vezes diferente da do século XIII - prosseguiu o cardeal -, também nós enfrentamos na Europa uma crise da fé e da vida cristã, talvez mais profunda e preocupante que naquela época".

"A Europa - denunciou - está se afastando de Deus e das suas raízes cristãs." Por isso, convidou a uma "reconstrução espiritual" para renovar em profundidade a vida pessoal e social.

Segundo o purpurado, a primeira condição para empreender este caminho de reconstrução é a consciência da misericórdia divina.

"Já não vemos o céu aberto, mas vivemos na escuridão e nas trevas sem Deus", cegados pela "pretensão de construir a casa da nossa sociedade e da nossa vida segundo nosso arbítrio e segundo nossas conveniências e interesses humanos."
Para poder reconstruir, afirmou, é necessário "colocar Deus no primeiro lugar da nossa vida", abandonando "os falsos ídolos que fabricamos".

"De Deus começa a reconstrução espiritual, e d'Ele também, a material", concluiu o purpurado.